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27 de fevereiro de 2018, 15h16

Na coletiva da intervenção, perguntas tiveram que ser escritas para análise prévia

A imprensa só foi informada minutos antes da coletiva sobre a intervenção militar que teria que escrever as perguntas em um papel para que passassem por uma análise prévia; Braga Netto, o general interventor, escolheu quais responderia - a maior parte delas da Globo

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A entrevista coletiva para tratar da intervenção militar no Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (27), foi mais um pronunciamento do que uma entrevista coletiva. Os jornalistas não tiveram a liberdade de perguntar ao longo da entrevista e tiveram que escrever suas questões em um papel para que passassem por uma análise prévia. O general Walter Souza Braga Netto, nomeado interventor federal, escolheu cerca de 10 perguntas para serem respondidas, a maior parte delas da Globo e da GloboNews.

“Senhores, no grito não funciona”, teria dito o general, de acordo com relatos, a jornalistas que não tiveram suas perguntas respondidas. A assessoria de imprensa do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), um dos órgãos envolvidos na intervenção, informou que as questões que não foram respondidas deveriam ser enviadas posteriormente por email.

Pelo Twitter, o jornalista britânico Dom Phillips, que escreve para veículos como o The Guardian e Financial Times, denunciou que foram respondidas somente perguntas da Globo e do jornal O Estado de São Paulo. Perguntas de jornalistas estrangeiros não teriam sido contempladas.

“Vale a pena notar a coletiva de imprensa da Intervenção Federal de hoje com os generais no Rio. Apenas perguntas escritas. Isso não foi anunciado de antemão, apenas nesta manhã. Várias questões para a Globo e o Estado. Nenhum para a imprensa estrangeira. Nem para a Folha”, tuitou Phillips.

Laboratório do Brasil

Entre as poucas perguntas que se dispôs a responder, o general Braga Netto não deu nenhuma informação concreta sobre quais serão os próximos passos da intervenção, se limitando a dizer que a primeira medida a ser adotada será a instalação do gabinete que coordenará a ação. “Logo após a instalação do gabinete, o general Sinott vai tomar uma série de providências dentro da segurança pública para que a população perceba a sensação de segurança”, afirmou.

Ele também aventou a possibilidade de a intervenção militar no Rio de Janeiro servir como uma experiência a ser implantada em outras regiões do Brasil.

“As inteligências, elas sempre funcionaram. Quando você centraliza e unifica o comando, a tendência é que isso agilize o trabalho de inteligência. O que deverá ocorrer agora é uma maior agilidade. O Rio de Janeiro, ele é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, aí já não cabe a mim responder”, disse.


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