Fórum Educação
21 de Maio de 2020, 07h20

“Nós somos alvos do Estado, nós somos pretos”, diz voluntário da Cidade de Deus após morte de João Vitor

Voluntários finalizavam a entrega de 200 cestas básicas na comunidade quando o jovem foi assassinado pela Polícia Militar

Reprodução/Twitter

Voluntários da Frente Cidade de Deus finalizavam a entrega de 200 cestas básicas na comunidade, na tarde desta quarta-feira (20), quando um tiroteio se iniciou no local. A ação truculenta da Polícia Militar na favela resultou em mais uma morte de um jovem negro: João Vitor, de 18 anos.

“A gente nasceu alvo. João Pedro foi ontem, esse menor foi hoje. Eles são genocidas e nós somos alvo do Estado, mano! Sempre foi assim. Nós é preto, mano”, disse um dos voluntários a outro, logo após o assassinato do adolescente.

As equipes da Frente CDD, que vêm desenvolvendo diversas ações sociais na comunidade durante a pandemia do coronavírus, tiveram que se proteger dos tiros dentro da casa de moradores.

Em outro vídeo, um dos voluntários questiona a política de segurança pública do governador Wilson Witzel (PSC). “É seu governador, tudo bem com você? A gente tá aqui, mais um dia de ação do Frente CDD, dentro da casa de moradores, com a nossa roupa tudo infectada, porque a bala tá comendo lá fora. E a gente tá encurralado dentro da casa dos outros, cheio de criança com medo”, relata.

“Tentando fazer o que o Estado não faz, que é levar comida, levar aquilo que falta. O Estado só leva isso aqui, bala. A única coisa que a gente tem é bala dentro da favela. Todo mundo agora cercado, todo mundo jogado no chão dentro da casa dos outros, com medo, muito obrigado pela sua ação, seu governador”, ironiza.

Segundo o Voz das Comunidades, o jovem foi baleado durante ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (Bope) e colocado dentro de um caveirão. Ele foi levado para o Hospital Lourenço Jorge, mas não resistiu.

Os voluntários ouvidos pelo Voz disseram que tentaram identificar o corpo, mas foram reprimidos pelo oficiais. “Quem não quer ser baleado tem que sair com uma bíblia na mão”, teria dito um dos PMs. O governador Wilson Witzel disse uma frase parecida durante entrevista no ano passado.

O caso aconteceu um dia depois do menino João Pedro, de 14 anos, ser encontrado morto no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo, também no Rio.

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