“O discurso que leva ao fascismo precisa ser interrompido”, diz Marcia Tiburi sobre Kim Kataguiri

Marcia escreveu uma carta aberta ao apresentador Juremir Machado da Silva, da rádio Guaíba

Da Redação

A filósofa Marcia Tiburi abandonou o programa na rádio Guaíba ao se deparar com o militante do MBL, Kim Kataguiri. Sem saber que ele participaria do programa, Marcia pegou suas coisas e foi embora. “Você deveria ter me avisado. Tenho vergonha de estar aqui. Que as deusas me livrem. Não converso com pessoas indecentes, perigosas”, disse.

Após o episódio e o vídeo ter viralizado nas redes sociais, Marcia escreveu uma carta aberta ao apresentador Juremir Machado da Silva, em sua coluna no site da revista Cult, onde justifica por que abandonou o debate, que ocorreria no dia do julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula, no TRF-4.

“Em um dia muito importante para a história brasileira, marcado por mais uma violação explícita da Constituição da República, não me é admissível participar de um programa que tenderia a se transformar em um grotesco espetáculo no qual duas linguagens que não se conectam seriam expostas em uma espécie de ringue, no qual argumentos perdem sentido diante de um já conhecido discurso pronto (fiz uma reflexão teórica sobre isso em ‘A Arte de escrever para idiotas’), que conta com vários divulgadores, de pós-adolescentes a conhecidos psicóticos; que investe em produzir confusão a partir de ideias vazias, chavões, estereótipos ideológicos, mistificações, apologia ao autoritarismo e outros recursos retóricos que levam ao vazio do pensamento”, escreveu.

Marcia afirmou que ficou perplexa: “Não dependo de votos da audiência, nem sinto prazer em demonstrar a ignorância alheia, por isso não vi sentido em participar do teu programa. Demorei um pouco para entender o que estava acontecendo. Fiquei perplexa, mas após refletir melhor cheguei à conclusão de que a ofensa que senti naquele momento era inevitável”.

A filósofa, que acaba de lançar o livro Feminismo em comum (editora Record), ainda destacou que não é “obrigada a ouvir quem acredita que justiça é o que está em cabeças vazias e interessa aos grupos econômicos que, ao longo da história do Brasil, sempre atentaram contra a democracia”.

“Creio que é importante chamar ao debate e ao diálogo qualquer cidadão que possa contribuir com ideias e reflexões, e para isso não se pode apostar em indivíduos que se notabilizaram por violentar a inteligência e a cultura, sem qualificação alguma, que mistificam a partir de clichês e polarizações sem nenhum fundamento. O discurso que leva ao fascismo precisa ser interrompido. Existem limites intransponíveis, sob pena de, disfarçado de democratização, os meios de comunicação contribuírem ainda mais para destruir o que resta da democracia.”

 

 

 

 

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