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22 de novembro de 2019, 08h06

O que é morte cerebral ou encefálica e qual o protocolo para confirmá-la

O Conselho Federal de Medicina estabelece um protocolo específico no caso de suspeita de morte encefálica, listando diversos exames e pré-requisitos para um diagnóstico seguro

Reprodução

Após a notícia de que o apresentador Gugu Liberato teria sofrido uma morte encefálica depois de cair de uma altura de quatro metros em sua casa nos Estados Unidos, muito se tem especulado sobre o assunto. Apesar dos boatos, a assessoria do apresentador informou na noite desta quinta-feira (21) que Gugu está vivo, mas em estado grave. Mas, afinal, o que caracteriza uma morte encefálica?

Por critério, morte encefálica, ou morte cerebral, é a perda completa e irreversível das funções do cérebro, o que também é reconhecido como “a definição legal de morte”. Isto significa que, como resultado de grave agressão ou ferimento no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o õrgão é bloqueado, ocasionando sua morte.

Muitas vezes, no entanto, o paciente que sofreu morte encefálica ainda está respirando, por ter seu corpo ligado a um ventilador mecânico. Ele também pode estar com batimentos cardíacos, o que dificulta para que familiares e amigos acreditem que o paciente evoluiu a óbito.

Como confirmar uma morte encefálica?

Para confirmar uma morte cerebral, de acordo com a resolução nº 2.173, de 23 de novembro de 2017, do Conselho Federal de Medicina, o médico deve conduzir diversos exames para ter o diagnóstico preciso. Esses testes são baseados em sólidas e reconhecidas normas científicas, que devem assegurar, entre outros tópicos, que o paciente deve estar em coma não induzido – sem medicação que o faça dormir – e em apneia persistente, quando a pessoa já não consegue respirar sozinha, sem ajuda de aparelhos.

A resolução também exige como confirmação de morte encefálica que o cérebro não tenha reatividade a nenhum estímulo e que seja comprovado por meio de imagem que o paciente sofreu uma lesão cerebral conhecida e irreversível, capaz de causar morte cerebral.  Ainda, o paciente deve estar internado e em atendimento médico por no mínimo 6h antes da abertura do protocolo, sendo que a temperatura deve estar maior que 35°C, já que a hipotermia pode simular uma morte encefálica, e a pressão deve estar adequada a faixa etária.

Em muitos casos, os testes são realizados duas vezes, com intervalo de diversas horas, para assegurar um resultado exato. Portanto, o diagnóstico final pode demorar certo tempo para ser divulgado. Dessa forma, após todos os exames comprovando a morte cerebral, a equipe médica está autorizada, pela resolução CFM nº 1.826/2007, a desligar os aparelhos e o suporte terapêutico caso o paciente não seja doador de órgãos.

Além do neurologista

O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou em 2017 os critérios para definir a morte encefálica e estabeleceu que o diagnóstico deve ser feito por outros especialistas além do médico neurologista.

Portanto, a resolução nº 2.173/17 substitui a nº 1.480/97 e estabelece que o diagnóstico deverá ser constatado por dois médicos não participantes das equipes de remoção e de transplante, mediante critérios clínicos e tecnológicos definidos pela norma. No entanto, um dos médicos a atestar deve ser especialista em uma das seguintes áreas: medicina intensiva, neurologia, neurocirurgia ou medicina de emergência.

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