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24 de março de 2018, 16h11

Operação policial na Rocinha deixa 7 pessoas mortas

Moradores relataram ainda abusos de policiais durante e violações de direitos durante a operação; esse é o segundo tiroteio na mesma semana que ocorre na comunidade

Foto: Arquivo/Vladimir Platonow/Agência Brasil

Por Isabela Vieira, na ABr

Sete pessoas morreram em mais um tiroteio na favela da Rocinha, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, no início da manhã deste sábado (24). As vítimas chegaram a ser levadas para o Hospital Miguel Couto, mas não resistiram. Nenhum policial foi ferido durante a operação. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Na quarta-feira (21) à noite um policial militar e um morador haviam morrido durante outro confronto entre policiais e bandidos da comunidade.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o Batalhão de Choque foi surpreendido por pessoas armadas e teve de reagir. Nas redes sociais, nas páginas como Favela da Rocinha e Rocinha Alerta, moradores afirmam que as vítimas se renderam, mas, ainda assim, foram executadas pelos policiais.

Também informam que mais dois criminosos atingidos por balas conseguiram fugir a pé pela mata, escapando do cerco. A PM não comentou as denúncias.

A Rocinha, uma comunidade com cerca de 70 mil pessoas e uma das maiores favelas do país, teve a rede elétrica atingida e está sem luz. A Light, concessionária de energia, informou que, diante da insegurança, não pode enviar técnicos para reestabelecer o fornecimento.

Também nas redes sociais, moradores reclamaram por terem equipamentos afetados no sábado, dia de descanso de boa parte das famílias. Outros contaram que, por conta dos tiroteios, não conseguiram sair para trabalhar.

O jovem Raull Santiago, do Coletivo Papo Reto, de mídia independente, usou seu perfil para denunciar abusos policiais. “Recebemos várias informações de uma intensa operação esta na Rocinha, onde policiais estão violando o direito de moradores, destruindo casas e esculachando geral durante abordagens na rua”.

Santiago também é coordenador do Movimentos, projeto que reúne jovens de favelas em defesa de uma nova política de drogas, com objetivo de diminuir a violência nas comunidades, altas taxas de homicídio e de encarceramento. O núcleo tem apoio do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Candido Mendes.

O suposto confronto com a PM ocorreu na Rua 2 e na localidade conhecida como “Roupa Suja”. No local, foram encontrados pelos policiais um fuzil, sete pistolas e duas granadas.

A PM mantém patrulhamento reforçado na comunidade desde setembro de 2017, quando bandidos de facção criminosa rival à instalada na Rocinha tentaram retomar o controle da venda de drogas. Para auxiliar as polícias, cerca de 1 mil agentes das Forças Armadas fizeram um cerco no local. Nenhum dos traficantes líderes do confronto foi preso, à época.

Marechal

Neste sábado, foi sepultado no Cemitério do Caju, no centro, o morador Antônio Ferreira, de 70 anos, conhecido como Marechal, vítima dos tiroteios provocados pelas operações policiais, na quarta-feira (21). Na mesma ação, o PM Felipe Santos de Mesquita, de 28 anos, baleado no abdômen, também morreu. O soldado foi enterrado ontem (23), em Sulacap.

O serviço Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 5 mil por informações que levem aos assassinos de Felipe de Mesquita. O telefone é (21) 2253-1177.


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