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30 de janeiro de 2018, 16h15

Para defensor público, mulher de minissaia pode ser considerada culpada em casos de assédio

O Defensor Público Geral de Pernambuco, Manoel Jerônimo, afirmou que a vestimenta de uma mulher “diz muito para fins de processo, para fins de condenação ou absolvição no campo criminal“

Por Redação

Para o Defensor Público Geral de Pernambuco, o fato de uma mulher esta vestindo minissaia pode ser determinante para a absolvição de um agressor em casos de assédio. A declaração de Manoel Jerônimo, que também é vice-presidente do Colégio Nacional de Defensores Gerais, foi dada em 11 de janeiro em uma entrevista para uma rádio local sobre estupro.

“A vestimenta de uma mulher é parte de um simbolismo que diz muito para fins de processo, para fins de condenação ou absolvição no campo criminal“, disse.

De acordo com Jerônimo, o uso de roupas como minissaias faz a mulher “ficar sujeita a uma pessoa interpretar que ela está seduzindo ou por ventura dando oportunidade para uma paquera, um namoro e quem sabe até algo mais sério“ e, ao invés de tratar sobre o comportamento dos agressores, recomendou que as mulheres demonstrassem “que não está ali para nenhum tipo de paquera” através de suas vestes.

Após a entrevista, Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares divulgou uma nota de repúdio às declarações. “É apenas mais uma das várias ferramentas de manutenção do sistema do patriarcado, o qual exerce controle territorial sobre os corpos das mulheres”, diz a nota.

Ao site Justificando, o defensor enviou uma nota em que tenta minimizar suas declarações, pedindo desculpas às mulheres por falas “fora de contexto”.

“Não tive em momento algum a pretensão de expressar qualquer forma de preconceito contra as mulheres”, escreveu.

*Com informações do Justificando

Foto: Ascom/DPPE


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