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29 de agosto de 2017, 18h50

Perícia conclui que não houve confronto, mas sim um verdadeiro massacre em Pau D’arco

Em maio, 10 trabalhadores rurais que ocupavam uma fazenda no Pará foram assassinados por policiais militares, que estão soltos. À princípio, os PMs relataram troca de tiros, mas perícia da PF concluiu que houve execução sumária dos sem-terra 

Por Redação 

A Polícia Federal divulgou, nesta segunda-feira (28), a conclusão da perícia sobre o caso que ficou conhecido como “chacina de Pau D’arco”, ocorrida em maio, quando 10 trabalhadores rurais foram assassinados por um grupo de policiais civis e militares em uma fazenda ocupada no Pará. De acordo com a PF, ao contrário da versão dos policiais envolvidos, não houve troca de tiros mas, sim, “execuções sumárias” – ou seja, um verdadeiro massacre.

Na ocasião, os policiais foram até a fazenda Santa Lúcia, que estava ocupada por trabalhadores rurais, para cumprir o mandado de prisão de suspeitos de envolvimento na morte de um segurança da fazenda. Ninguém foi preso e 10 sem-terras – nove homens e uma mulher – foram assassinados. Alguns, inclusive, com tiros à queima roupa.

De acordo com a perícia, seis armas foram utilizadas pelos policiais para efetuar os disparos. O estudo da PF pode concluir que os sem-terra não reagiram em momento algum e sequer estavam armados. A ação dos PMs, de acordo com a PF, foi totalmente planejada para que os sem-terra fossem executados.

Treze policiais foram presos suspeitos de participar do crime. A Justiça determinou a prisão dos policiais por 30 dias para evitar que eles pudessem ameaçar testemunhas e atrapalhar as investigações. À época das prisões, foi apontado que havia indícios de manipulação de provas para encobrir uma execução planejada. No dia 8 de agosto, no entanto, o juiz de Redenção, Jun Kubota, negou o pedido de prorrogação da prisão temporária e liberou os policiais.


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