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23 de janeiro de 2020, 11h57

Petroleiros ocupam Fafen-PR pelo terceiro dia contra fechamento da fábrica

Sindicatos acusam a Petrobras de provocar mais de mil demissões arbitrárias e sem negociação prévia

Petroleiros contra fechamento da Fafen-PR (Foto: FUP)

Sindicatos associados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) entraram nesta quinta-feira (23) no terceiro dia de ocupação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), a última nacional do setor, em protesto contra o seu fechamento. A decisão foi anunciada nesta semana pela gestão da Petrobras.

De acordo com a FUP, o encerramento das atividades da Fafen-PR, localizada no município de Araucária (PR), provocaria o desemprego direto de mil trabalhadores, mas o cálculo também prevê que outros 2 mil seriam afetados indiretamente. A federação acusa a diretoria da Petrobras de provocar demissões “arbitrárias” e sem negociação prévia com o sindicato.

Em comunicado, a Petrobras argumentou que a decisão de fechar a fábrica é uma estratégia para retirar segmentos “exteriores” ao núcleo de atuação da estatal, sobretudo a exploração de petróleo e gás natural no pré-sal. Além disso, alega que a Fafen-PR tem dado prejuízo.

Os petroleiros, no entanto, contestam essa versão. De acordo com eles, a direção mente ao afirmar que o resíduo asfáltico (RASF), principal matéria-prima da Fafen-PR, tem um custo alto. “O preço do produto acompanha o valor do mercado”, diz comunicado da categoria.

“A Petrobras está cobrando o preço do RASF baseado no preço do barril no golfo do México, mas temos que encarar que o preço nacional é bem inferior, extraído pela própria Petrobras. É uma estratégia contábil da estatal para inviabilizar o funcionamento da fábrica”, denuncia Gerson Castellano, Diretor de Comunicação da FUP, em entrevista à Fórum.

“A hibernação da Fafen-PR é uma decisão política. O objetivo dos gestores é encerrar as atividades da fábrica para zerar o passivo trabalhista e vender a unidade no futuro, contratando os trabalhadores em condições precárias e por salários muito abaixo do que é hoje praticado na empresa”, diz outro trecho do comunicado.

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