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26 de novembro de 2019, 18h28

Polícia do Pará persegue ONGs sob acusação de incendiar Amazônia

Organizações apontam tentativa de criminalização de ambientalistas

Foto: Reprodução/Facebook Brigada de Alter

Duas ONGs localizadas na região de Alter do Chão, no Pará, foram alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira (26) sob acusação de terem sido responsáveis pelos incêndios de setembro na Floresta Amazônica. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos e quatro pessoas foram levadas em prisão preventiva. Organizações apontam tentativa de deslegitimação promovida pelo governo.

A Brigada de Incêndio de Alter do Chão e o Projeto Saúde e Alegre foram surpreendidos com a Operação Fogo do Sairé, que levou quatro voluntários brigadistas presos e revirou documentos das duas entidades. Reconhecidas por atuar no combate ao fogo e na promoção de ações de saúde, as organizações receberam a solidariedade de outros projetos que atuam na região e acusaram a polícia de promover uma operação política.

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Em nota, a Brigada destacou que atua em conjunto com o Corpo de Bombeiros e promove a formação de seus voluntários junto à corporação. “Em agosto de 2019 houve um segundo curso dado pelos Bombeiros Militares, Defesa Civil e Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Turismo de Belterra que culminou com a formação de mais nove brigadistas voluntários”, destaca.

“Estamos em choque com a prisão de pessoas que não fazem senão dedicar parte de suas vidas à proteção da comunidade, porém certos de que qualquer que seja a denúncia, ela será esclarecida e a inocência da Brigada e seus membros devidamente reconhecida”, diz ainda o texto. Os quatro presos são acusados de promover um incêndio que eles mesmo apagaram.

Advogados responsáveis pela defesa dos acusados estão trabalhando pela soltura imediata e afirmam que essa prisão preventiva não cumpre com os requisitos do Código de Processo Penal.

Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria, lamentou a situação. “É uma situação kafkaniana, um pesadelo. O que a gente percebe claramente é uma ação política para tentar desmoralizar as ONGs que atuam na Amazônia. É muito preocupante”, afirmou à Folha, que destaca que o projeto já recebeu diversos prêmios pela sua atuação na região.

Em nota, o Saúde e Alegria ainda afirmou que a Polícia Civil não apresentou nenhuma justificativa para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

Bolsonaro e as ONGs

Desde que as queimadas viraram assunto mundial, o presidente Jair Bolsonaro tem tentado culpar indígenas e voluntários que atuam na região com o objetivo de se eximir da responsabilidade de resguardar a floresta e poupar madeireiros que possam ter colocado fogo na mata. Segundo a Polícia Federal, um grupo de fazendeiros pró-Bolsonaro realizou um “Dia do Fogo” em agosto como forma de homenagem ao presidente.

 


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