Polícia Federal quer usar dados de milícias digitais em inquérito de Renan Bolsonaro

Investigação aponta conexão de sócio do filho mais novo do presidente com grupos radicais e antidemocráticos que operam na internet. Apuração aponta ainda "recebimento de vantagens" por parte do rebento 04

A Polícia Federal encaminhou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que dados levantados nas investigações de milícias digitais de apoio a Jair Bolsonaro também sejam usados no inquérito que apura os negócios suspeitos de Jair Renan, o filho mais novo do presidente.

Os investigadores resolveram pedir o compartilhamento desses dados após descobrirem que o parceiro de negócios de Jair Renan, o empresário Allan Lucena, manteve contato com o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, que já esteve preso por envolvimento nos atos antidemocráticos promovidos pela milícia radical que opera na internet.

A solicitação da Superintendente da PF no Distrito Federal foi encaminhada para os delegados do órgão que estão no encalço da rede de ódio promovida pelos correligionários de Bolsonaro, mas o envio dessas informações dependerá de uma autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Informações preliminares da PF dão conta de que Jair Renan teria “recebido vantagens” em seus empreendimentos pelo fato de parceiros terem “vínculos contratuais com a administração pública federal e distrital sem aparente contraprestação justificável dos atos de graciosidade”.

Os “negócios” de Jair Renan

As autoridades federais têm apurado as atividades do filho mais novo do presidente da República depois de descobrirem que o jovem atuou para arranjar uma audiência pública num ministério, que tinha por objetivo tratar de interesses comerciais, para um de seus patrocinadores.

Jair Renan e seu sócio, além disso, receberam um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil como “presente” desse mesmo grupo empresarial que o patrocina.

O filho 04 do ocupante do Palácio do Planalto também utilizou um serviço de mídia de um grupo que presta serviços de produção digital para o governo federal, o que é claramente contra a lei.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.