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21 de fevereiro de 2020, 14h54

Polícia Militar de SP proíbe bloco da Cracolândia

"Está bem claro que são motivações políticas, que é preconceito. Nós não podemos ter carnaval, é disso que a gente tá falando”, disse Raphael Escobar, um dos organizadores do cortejo

Reprodução/Facebook

A Prefeitura de São Paulo barrou o desfile do “Blocolândia” nesta sexta-feira (21) após a Polícia Militar (PM) retirar a autorização concedida ao bloco. A organização do cortejo afirma que cumpriu com todos os trâmites e que a PM adota postura “mesquinha”.

“Falaram que é por conta de segurança, que pode ter tiroteio. Em 5,6 anos de bloco nunca vi nada acontecer, nem um celular saiu de lá. Eu acho muito triste, isso” afirmou Raphael Escobar, integrante da organização do bloco, ao jornalista Pedro Stropasolas, do Brasil de Fato

“Está bem claro que são motivações políticas, que é preconceito. Nós não podemos ter carnaval, é disso que a gente tá falando”, disse ainda o membro do grupo Craco Resiste.

O bloco chegou a acionar a Secretario Municipal de Cultura, mas o chefe da pasta, Alexandre Youssef, disse que a Secretaria de Segurança estava irredutível.

Segundo Escobar, o Blocolândia foi o único do 900 blocos da capital paulista a ser proibido de desfilar. Mesmo assim, a organização pretende colocar o bloco na rua.

O vereador Eduardo Suplicy (PT) cobrou que o governador João Doria (PSDB) reverta a decisão e disse que vai ao cortejo para garantir que ele saia. “Transmiti ao Governador João Dória a necessidade premente de revogar a proibição ao Blocolândia de desfilar hoje na Luz. O Secretário da Cultura Alexandre Youssef assegurou que o Blocolândia atendeu todos requisitos para realizar o desfile. Estarei lá para assegurar que aconteça”, tuitou.

Escobar afirma que o bloco já é uma tradição na região e possibilita que os os usuários ocupem territórios que geralmente são proibidos de circular.

“É a hora que a Cracolândia sai para andar no território da Luz, passa na frente aos vizinhos que normalmente acham que eles têm que sair de lá, e os vizinhos dançam com eles. Passa na frente dos centros culturais do território, que normalmente não deixam eles entrarem. É o momento que todo mundo esquece que eles são usuários de crack. Todo mundo deixa de falar sobre o crack e fala das qualidades que essa galera tem. São as outras histórias sendo contadas que não são as do crack”, finalizou Escobar.


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