Prefere comprar feijão a fuzil? Para Bolsonaro, você é um idiota

Em meio à escalada do preço dos alimentos e intensificação da fome no Brasil, presidente afirma que "todo mundo tem que comprar fuzil" e xinga aqueles que pedem comida

Não é só Paulo Guedes que zomba da crise econômica e social que assola o país. Depois do ministro da Economia perguntar “qual o problema da energia elétrica ficar mais cara” e dizer que “não adianta ficar chorando” pelo aumento da tarifa, foi a vez de seu chefe fazer pouco caso daqueles que passam dificuldades para viver.

Jair Bolsonaro, no entanto, foi além. Xingou de “idiotas” aqueles que pedem para que o governo resolva o problema da alta no preço dos alimentos e sugeriu que os problemas do Brasil se resolvem com armas.

Em conversa com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, na manhã desta sexta-feira (27), o chefe do Executivo usou de suas habituais críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) para, mais uma vez, encampar discurso belicoso em detrimento das reais necessidades da população.

“Não pode um ou dois caras estragar a democracia no Brasil. Começar a prender na base do canetaço, bloquear redes sociais. E agora o câncer já foi para o TSE. Tem um cara querendo politizar tudo. Tem que colocar um ponto final nisso”, afirmou o presidente, antes de partir para a fala com tom de ameaça e lavando as mãos para a fome que já atinge mais de 50% dos domicílios no país.

“Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Um povo armado jamais será escravizado. Tem um idiota que diz: cê tem que comprar feijão. Cara, se você não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”, disparou.

Fome no Brasil dobrou desde 2018

Relatório da FAO, fundo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, divulgado em julho deste ano, revela que dobrou o número de brasileiros que passam fome desde 2018.

Os números mostram que a insegurança alimentar grave atingiu 7,5 milhões de brasileiros entre 2018 e 2020. Entre 2014 e 2016, esse número era de 3,9 milhões de pessoas no país.

No total, 1 em cada 4 brasileiros não se alimentam com três refeiros ao dia. Além daqueles que estão em situação grave, outros 49,6 milhões de pessoas que vivem um quadro de insegurança moderada ou grave. Em 2014 eram 37,5 milhões.

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Segundo a a FAO, insegurança alimentar se refere ao acesso limitado de uma pessoa ou de uma residência à comida, seja por falta de dinheiro ou outros recursos. Uma pessoa que não se alimente durante um dia já vive uma situação de insegurança alimentar grave.

Inflação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última quarta-feira (25) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo 15 (IPCA-15) de agosto que ficou em 0,89%, ficando com 0,17 ponto percentual acima da taxa de julho (0,72).

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De acordo com o IBGE, essa é a maior variação para um mês de agosto desde 2002, quando o índice foi de 1%.

O índice acumula alta de 5,81% no ano e de 9,3% em 12 meses. Em agosto de 2020, a variação havia sido de 0,23%.

O IPCA-15 Amplo é considerado uma prévia da inflação oficial.

Dos nove grupos pesquisados, oito tiveram alta de preços em agosto: o maior impacto (0,31 p.p) e a maior variação (1,97%) vieram da habitação.

Em seguida, o maior impacto no custo de vida dos brasileiros veio com os transportes com variação de 1,11%, próxima do mês anterior, que ficou em 1,07%.

O setor de alimentação e bebidas teve variação de 1,02%, ficando acima do registra em julho: 0,49%.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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