Presidente demissionário da Petrobras aumentou seu bônus em meio a corte de custos

Em abril do ano passado, Castello Branco elevou de R$ 32,4 milhões para R$ 43,3 milhões a previsão de pagamento para a diretoria ao longo de 2020, e acionistas aprovaram

Roberto Castello Branco, que está de saída do cargo de presidente da Petrobras, aumentou no ano passado em 33,6% o pagamento previsto para a diretoria da empresa ao longo de 2020. A proposta foi feita em abril aos acionistas, que a aprovaram em uma assembleia em julho.

Com isso, o pagamento para os nove diretores-executivos da companhia, incluindo Castello Branco, poderia alcançar R$ 43,3 milhões no ano passado, ante R$ 32,4 milhões em 2019. O valor inclui o salário mensal mais o bônus por desempenho, pago no final do ano, em caso de alcançar o desempenho. A diretoria não teria reajuste de salário fixo ao longo de 2020, mas apenas um variável mais apetitoso.

Ao mesmo tempo em que buscava aumentar seus ganhos, a diretoria, liderada por Castello Branco, implementava um plano de corte de custos na Petrobras, por causa da pandemia do novo coronavírus. Em abril do ano passado, a empresa chegou a anunciar redução de 25% dos salários e carga horária de 21 mil empregados.

Segundo o site Agenda do Poder, o bônus que Castello Branco se autoconcedeu foi de 13 vezes seu salário caso as metas fossem alcançadas.  

Em nota à Fórum, a Petrobras reiterou que o salário fixo de seu presidente e diretores não é reajustado desde 2016. A empresa diz que criou em 2019 um Plano de Prêmio por Performance (PPP), “que contempla todos os empregados da Petrobras, com ou sem função de liderança”. E reitera que ele foi aprovado seguindo “todos os procedimentos de governança corporativa de uma empresa de capital misto e listada em Bolsa”.  

Ainda diz que “a remuneração total anual do presidente da Petrobras, incluindo o bônus, corresponde a 25% da remuneração total anual dos presidentes de outras empresas do mercado nacional de porte equivalente, considerando-se a faixa mediana de remuneração”.

Mas não respondeu por que houve aumento de 33% na previsão de pagamento à diretoria, em meio a um corte de custos, que chegou a incluir redução de salários de funcionários.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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