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16 de agosto de 2019, 09h56

Presidente do TJ-RJ duvida de cartas escritas por crianças pedindo fim da violência no Complexo da Maré

O presidente do TJ disse que é preciso investigar se "realmente foram feitas por crianças" as cartas pedindo o fim da violência. O governador Wilson Witzel afirmou que vai desmascarar "manifestações manipuladas por traficantes"

Na carta, criança escreve: "não gosta do helicóptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem". Foto: Reprodução

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio de Mello Tavares, questionou a autenticidade das 1.500 cartas feitas por crianças e moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, pedindo fim da violência no local. Em entrevista ao G1, o presidente do TJ disse que é preciso investigar se há “algo por trás” das cartas e se “realmente foram feitas por crianças”.

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O questionamento foi feito nesta quarta-feira (14), após reativação da liminar que impõe regras na ação policial operações na Maré. Na segunda-feira (12), o TJ recebeu 1.500 relatos em forma de cartas, escritas e em desenhos, clamando por menos violência nas comunidades e a volta da Ação Civil Pública (ACP) no controle das operações policiais.

“O juiz da causa tem que analisar se aquelas cartas realmente foram feitas pelas crianças, se não foram encomendadas, se não há algo por trás disso, se realmente é a sociedade da Maré que está clamando para que isso pare, para que essa violência pare”, afirmou.

Não foi só o presidente do TJ que questionou a autenticidade do desenho infantil. O governador do Rio, Wilson Witzel, também levantou a questão, da qual afirmou que vai recorrer. Ainda na quarta-feira, o governador disse que vai desmascarar manifestações manipuladas por traficantes. “A Maré, na verdade, quer ser uma área de livre comércio da droga e isso nós não vamos permitir”, afirmou Witzel.

A ONG Redes da Maré respondeu ao questionamento de ambos sobre a veracidade das cartas. Em nota, a organização respondeu que a mobilização é “fruto da luta por direitos e reconhecimento da importância de cerca de 140 mil vidas que moram no conjunto de 16 favelas”. Ainda, ressaltou que o trabalho foi feito a partir da mobilização espontânea de adultos, jovens, crianças, homens e mulheres.


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