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20 de dezembro de 2017, 11h42

Protesto: Bancários do Santander fazem paralisação após reforma trabalhista

Trabalhadores afirmam que o banco espanhol está "rasgando a negociação coletiva", com mudanças "unilaterais" em horas extras, férias e décimo terceiro, que deverão ser revogadas.

Trabalhadores afirmam que o banco espanhol está “rasgando a negociação coletiva”, com mudanças “unilaterais” em horas extras, férias e décimo terceiro, que deverão ser revogadas.

Da Redação*

Trabalhadores das agências e dos centros administrativos do Banco Santander realizam paralisação na manhã desta quarta-feira (20) em todo o Brasil, contra a iniciativa da direção do banco que vem impondo acordos individuais que passam por cima da negociação coletiva, com base nas novas regras da reforma trabalhista do governo Temer.

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O Sindicato dos Bancários de São Paulo diz que a negociação individual é descabida, já que o banco impõe unilateralmente suas decisões, sob ameaça de demissão do funcionário que não concordar. Na capital paulista, a mobilização ocorre nas sedes administrativas do banco e em cerca de 150 agências.

“O Santander está rasgando a negociação coletiva. Isso nós não concordamos. Somos contrários, porque coloca o funcionário e o banco negociando diretamente. Somos favoráveis à negociação coletiva. Que o Santander negocie dignamente com o movimento sindical”, afirmou a presidenta do sindicato, Ivone Silva.

Os trabalhadores afirmam que, com base nas novas regras, o Santander tem impedido os funcionários de fazer horas extras. As horas excedentes trabalhadas não mais serão pagas e deverão ser compensadas com folga equivalente em até seis meses. O banco também anunciou que, a partir de março, o salário passará a ser creditado no dia 30 e não mais no dia 20. E o décimo terceiro, que era pago em março e novembro, passará para os meses de maio e dezembro.

Eles reclamam que todas as decisões têm sido tomadas unilateralmente pela direção do banco. De coletivo, no momento, só as demissões, que atingiram cerca de 200 trabalhadores, apenas na última semana. “Não podemos aceitar que o banco Santander tenha lucro de R$ 7,9 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, um crescimento de 34,6%, reduza 1,3 mil postos de trabalho desde setembro de 2016 e ainda queira lucrar retirando direitos dos trabalhadores”, ressalta Ivone.

Para o ex-presidente da Contraf-CUT, Luiz Claudio Marcolino, o Santander tem demonstrado “desrespeito total com os trabalhadores”. Ele lembra que, em 1995, o Banco Itaú também tentou implementar uma comissão individual de trabalho, como agora tenta o Santander. Após quatro meses de sucessivas paralisações, o banco foi obrigado a recuar.

“Não será diferente com o Santander. Ou revoga todas as medidas tomadas de forma unilateral, sem negociação, desrespeitando os trabalhadores, ou essa paralisação vai continuar”, compara Marcolino.

Motivado pelas novas regras, o banco estaria forçando as demissões para contratar novos trabalhadores terceirizados, que além de menores salários, não contam com os mesmos direitos dos bancários, e ainda sofrem discriminação.

“Os terceirizados não conseguem usar o fretado, não tem acesso ao bicicletário. O vale-alimentação é parcelado. No refeitório, não tem nem uma televisão. É mais precarização. Ou seja, o terceirizado é discriminado dentro da Torre Santander. Eles não estão se importando com o lado dos funcionários”, afirma o dirigente do sindicato Welington Prado.

*Com informações da Rede Brasil Atual

Foto: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região


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