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13 de fevereiro de 2020, 21h43

Queima de arquivo? Fotos obtidas pela Veja sugerem que Adriano da Nóbrega foi executado rendido

Dois legistas ouvidos pela revista apontam que a morte de Adriano não teria ocorrido durante troca de tiros

Foto: Reprodução

A versão do advogado e da família sobre a morte do ex-PM Adriano da Nóbrega, um dos comandantes da milícia Escritório do Crime, ganhou mais força após a revelação de fotos do corpo do miliciano.

Em imagens reveladas pela Revista Veja, Adriano parece ter sido abatido por tiros de curta distância, já rendido. A Veja aponta que um dos projéteis atingiu a região do pescoço, outro perfurou o tórax e também que “as imagens revelam um ferimento na cabeça do ex-capitão, logo abaixo do queixo, queimaduras do lado esquerdo do peito e um corte na testa”.

As conclusões são do médico legista Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal.

“Pode ter sido uma troca de tiros? Pode. Pode ter sido uma execução? Pode. Qual é o mais provável? Com esse disparo tão próximo, o mais provável é que tenha sido uma execução. Mas tem de analisar com mais detalhes”, afirmou Galvão, que entende que o disparo aconteceu em uma distância inferior a 40 cm.

Com relação ao segundo tiro, o legista acredita ter sido feito quando Adriano já estava caído. Para ele, foi um tiro de “confere”, para garantir que o morto, de fato, estava morto.

Um outro legista acionado pela Veja aponta que a posição do tiro na lateral do corpo indica que o disparo foi feito quando o miliciano estava rendido de braços abertos.

As observações abrem margem para questionamentos se a ação policial não teve como objetivo queima de arquivo.

Desde o início, advogado Paulo Emílio Catta Preta e familiares de Adriano sustentam essa hipótese, que vai na contramão da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, que afirma que Adriano teria efetuado disparos com uma arma ao ser encontrado e, na troca de tiros, teria sido ferido. Catta Preta revelou que o cliente, num telefonema, disse temer ser assassinado para queima de arquivo dias antes de ser morto por policiais.

Segundo o secretário de Segurança da Bahia, Maurício Teles Barbosa, Adriano só foi morto porque se recusou a se entregar e disparou contra os policiais. “Ele já chegou atirando. Era uma pessoa extremamente habilitada ao uso de armas de fogo. Não havia a possibilidade de querer queimar algum arquivo”, disse à Veja.

Família Bolsonaro

O miliciano tinha uma relação próxima com o clã Bolsonaro. Ele chegou a ser homenageado duas vezes pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi defendido no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo hoje presidente Jair Bolsonaro e ainda é investigado pelo esquema de rachadinhas no gabinete de Flavio na Alerj. A mãe e a esposa do miliciano foram empregadas como assessoras.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) chegou a fazer um “PowerPoint” expondo o elo de Nóbrega com os Bolsonaro. “As relações da família do presidente da República Jair Bolsonaro com Adriano da Nóbrega e as milícias têm que ser investigadas. Parentes de Adriano eram assessores fantasmas de Flávio e participaram da rachadinha. O próprio miliciano recebeu grana do esquema. É gravíssimo”, disse Freixo.

Confira as imagens na reportagem de Daniel Pereira, Thiago Bronzatto, Cassio Bruno e Hugo Marques para a Veja. ATENÇÃO, conteúdo sensível!

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