“Nunca tinha sido algemado na vida. Foi uma humilhação”, diz professor preso por adesivo Bolsonaro genocida

O militante também revelou que, mesmo rendido, foi agredido pelos policiais

Em entrevista ao Fórum Onze Meia desta quarta-feira (2), o professor e ativista Arquidones Bites, que foi detido por utilizar um adesivo “Fora Bolsonaro Genocida” em seu carro, revelou detalhes de como tudo aconteceu.

Segundo o professor, quando a Polícia enquadrou, o carro estava com a sua namorada, que estava no salão cortando o cabelo. “Eu nem estava no carro, ele estava estacionado, pois a minha namorada estava no salão de beleza, eu estava jogando bola, mas estava perto do local. O carro estava estacionado, perguntaram de quem era o carro, está no salão, daí falaram pra ela tirar o adesivo, senão iam prender o carro e o condutor”, revela o militante.

Diante da iminência de ser presa, a namorada de Arquidones telefonou para ele, que foi até o local. “Eu estava perto e cheguei filmando, porque eu sei como esses procedimentos acontecem, eu sei que há brutalidade de alguns policiais, não são todos, não é culpa da corporação, mas, infelizmente, o que estamos vendo é que a polícia tem um papel para cumprir que é dar segurança para a população e este papel não está sendo cumprido por várias pessoas, pessoas que ferem os Direitos Humanos”, criticou o professor.

“Aí eles me disseram que eu teria de tirar a faixa, pois eu estava cometendo um crime e eu respondi ‘eu não estou, estou no meu direito de manifestar’ e não vou tirar a faixa”, posteriormente o policial leu para mim um artigo (26) da Lei de Segurança Nacional ao qual eu seria enquadrado.”

Posteriormente, Arquidones relatou o momento em que foi algemado. “Eles foram chegando, os quatro (policiais), eu fui afastando um pouquinho perto, eu filmando, quando eles chegaram perto, eu fui para trás e desliguei o celular, fiquei com medo que eles pegassem o meu celular. Eles me deram uma rasteira e eu caí ele me deu dois chutes nas minhas pernas.”

Por ser conhecido na cidade onde vive, ao chegar no hospital, Arquidones relata que gritou para que as pessoas soubessem que ele estava algemado por motivos de opinião. “Eu gritei: eu não estou aqui porque sou bandido, estou aqui porque gritei ‘Bolsonaro genocida’, para as pessoas perceberem, para eu não ficar naquele constrangimento. Eu nunca fui algemado na vida, eu fiquei muito constrangido”, revela.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com Arquidones Bites no Fórum Onze Meia.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).