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10 de janeiro de 2020, 07h06

Saiba o que é dietilenoglicol, substância encontrada em cerveja que matou uma pessoa em MG

Substância química usada no processo de refrigeração da cerveja pode ter provocado a morte de Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, e a internação de outras sete pessoas em Belo Horizonte, segundo laudo da Polícia Civil

Cerveja Belorizontina, da Backer, onde foi encontrada substância tóxica (Reprodução)

A causa da morte de Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, e da internação de outras sete pessoas em Belo Horizonte não foi uma “nova síndrome” ou uma “doença misteriosa” como divulgada inicialmente, na manhã desta quinta-feira (9).

Na noite desta mesma quinta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou um laudo que aponta a presença da substância tóxica dietilenoglicol em duas garrafas de cerveja da marca Belorizontina, da Backer, encontradas em casas dos pacientes internados.

“Informo que nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do Município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca ” Belorizontina” lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares. Ressalto que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal n. 0024413 e 0021769, respectivamente”, diz o laudo.

Em nota, a Backer disse que a substância encontrada não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina e que vai recolher os lotes do mercado por precaução.

Mas, afinal, o que é dietilenoglicol, a substância tóxica encontrada na cerveja?

No processo de produção, o dietilenoglicol é usado em serpentinas no processo de refrigeração de cervejas.

O dietilenoglicol uma substância de cor clara, viscosa, não tem cheiro e tem um gosto adocicado. É um anticongelante de uso bastante comum na indústria, principalmente na automotiva e de cosméticos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, justamente os sintomas diagnosticados nos pacientes internados em Belo Horizonte.

Segundo Carlo Lapolli, da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso do dietilenoglicol é muito raro em cervejarias. “Normalmente, as cervejarias usam álcool puro, sem nenhum tipo de conservante ou agente químico, misturado com água, numa proporção de 30%, para refrigeração dos tanques”, explicou ele ao G1.

A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. O álcool com água gelada vai passando por tubos chamados de “serpentina” ao redor do tanque de cerveja.

Segundo a Abracerva, a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos.

“Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria, por isso colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante”, diz Lapolli.

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