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12 de dezembro de 2019, 08h25

Sampaoli se despede em carta do Santos: “em um mundo que nos trata como objetos, me senti humano”

Sampaoli se negou a cumprimentar Bolsonaro durante jogo na Vila Belmiro

Jorge Sampaoli, técnico do Santos (Twitter/ Santos FC)

O argentino Jorge Sampaoli, agora ex-treinador do Santos, se despede do clube com uma emocionada carta nesta quarta-feira (11). Nela, ele afirma que “em um mundo que nos trata como objetos”, no clube se sentiu humano, “e isso foi um privilégio maravilhoso”.

Sampaoli diz também que o Santos foi “um lugar que me permitiu voltar a crer nos sonhos”, mas sente que “é um momento na história no qual desfrutar o presente não é simples. Prefiro não arranhá-lo”.

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O treinador agradece também aos jogadores, aos trabalhadores e às trabalhadoras do CT Rei Pelé, aos meninos do CT e à cidade que o acolheu: “trataram-nos como se estivéssemos vivido toda a vida aqui. Ficará para sempre, também, que aqui nasceu meu terceiro filho, León”.

Politizado, Sampaoli afirmou em outubro que os atos contra o neoliberalismo no Chile são exemplos para todos os povos da América do Sul.

“Valorizo muito a reação do povo chileno depois de tanto tempo de opressão. É um exemplo para todos na América do Sul. Lutar contra o neoliberalismo, que deixa o povo cada vez mais pobre. Esta rebelião contra os que estão no poder que só pensam nisso”, disse Sampaoli.

O técnico se notabilizou também por se negar a ter contato com o presidente Jair Bolsonaro. Ele chegou a afirmar que estaria disposto a deixar o clube caso fosse obrigado a cumprimentar o presidente, que foi assistir ao clássico contra o São Paulo que aconteceu no dia 16 de novembro, na Vila Belmiro.

 

Veja abaixo a nota completa do treinador:

“O Santos foi uma das minhas casas mais lindas.

Um lugar que me permitiu voltar a crer nos sonhos, no jogo e na alegria dentro do futebol. Todas estas coisas sinto que são, para mim, uma enorme conquista porque a exigência e o imediatismo deste esporte nem sempre nos permite ser felizes. Em um mundo que nos trata como objetos, me senti humano e isso foi um privilégio maravilhoso. Sinto que é um momento na história no qual desfrutar o presente não é simples. Prefiro não arranhá-lo. O próximo ano será muito difícil para o Santos. Jogará o Paulista, o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Libertadores. Penso, com chance de me equivocar, que algumas circunstâncias estruturais não me permitiriam sentir com comodidade.

Quero agradecer aos jogadores. Em um torneio com um calendário esgotante, mostraram uma fidelidade à ideia impressionante. Nunca renunciaram às convicções pelo jogo e foram a qualquer estádio do Brasil para mostrar quem somos e quanto amor sentimos pela bola.

Quero agradecer aos trabalhadores e às trabalhadoras do CT Rei Pelé. São a alma do clube. Aqueles que em silêncio constroem e defendem uma instituição gloriosa.

Quero agradecer aos meninos do CT. Foram meus amigos mais legais e os levarei na minha memória para sempre.

Porém, sobretudo, quero agradecer à cidade. Santos é um lugar maravilhoso. Trataram-nos como se estivéssemos vivido toda a vida aqui. Ficará para sempre, também, que aqui nasceu meu terceiro filho, León.

Talvez, isso seja simplesmente um até logo e a vida nos permita um reencontro. As despedidas são essas dores doces.

Muito obrigado, de coração. Eu os levarei na alma, para sempre.

Jorge Sampaoli”

 


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