“Se fosse eu, meu rosto estaria estampado na TV”, diz mãe de Miguel, menino que caiu do prédio em Recife

Trabalhadora doméstica, Mirtes Renata Souza, e a mãe, que é idosa, não foram dispensadas por Sari Corte Real e o marido, Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré, mesmo quando casal foi contaminado por coronavírus

A trabalhadora doméstica Mirtes Renata Souza, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que morreu ao cair do nono andar de um edifício de luxo em Recife, Pernambuco, mostrou sua indignação com a cobertura parcial da mídia, que evita citar o nome e mostrar imagens da patroa, Sari Corte Real, primeira-dama de Tamandaré.

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“Se fosse eu, meu rosto estaria estampado, como já vi vários casos na televisão. Meu nome estaria estampado e meu rosto estaria em todas as mídias. Mas o dela não pode estar na mídia, não pode ser divulgado”, disse Mirtes em entrevista à afiliada da TV Globo.

Sari Gaspar Corte Real (Foto: Redes Sociais)

Miguel morreu ao cair do nono andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau. Ele passava o dia com a mãe, que no momento havia saído para passear com os cachorros e deixou o menino com a patroa.

Segundo o delegado Ramon Teixeira, responsável pelo caso, câmeras do circuito interno de segurança do condomínio mostraram o momento em que Sari permitiu que Miguel entrasse sozinho no elevador. Nas imagens, era possível ver que ela fala com o menino, mas o deixa lá.

“Ela confiava os filhos dela a mim e a minha mãe. No momento em que confiei meu filho a ela, infelizmente ela não teve paciência para cuidar, para tirar [do elevador]. Eu sei, eu não nego para ninguém: meu filho era uma criança um pouco teimosa, queria ser dono de si e tudo mais. Mas assim, é criança. Era criança”, disse Mirtes.

Segundo a investigação, Miguel ficou no elevador sozinho e desceu no 9º andar. Lá ele escalou uma grade na área dos aparelhos de ar-condicionado, que fica na ala comum do andar, fora do apartamento, e caiu.

Ao longo de toda a pandemia, Mirtes e a mãe, que é idosa, continuaram trabalhando para o casal. A família dos patrões optou por se isolar em Tamandaré, no Litoral Sul. “Ela disse que a gente não era obrigado a ir. A gente foi porque precisa trabalhar, precisa ganhar nosso salário para pagar as contas e também em questão que ‘mainha’ é grupo de risco”, explicou.

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Quando o prefeito, Sérgio Hacker (PSB), divulgou que teve Covid-19, ela também havia sido diagnosticada com a doença. Mirtes relatou que, após exames, foi constatado que a mãe dela e o filho também tiveram, mas com sintomas muito leves. Depois de um tempo em Tamandaré, todos voltaram ao Recife.

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Direto da Redação da Revista Fórum.

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