Desespero: Sem Bolsa Família, brasileiros formam filas em busca de informações

Ainda não há definição de quando começarão os pagamentos do novo programa social, o Auxílio Brasil. Postos do CadÚnico amanheceram com espera de centenas de pessoas

Com o fim repentino do Bolsa Família e a falta de definição sobre o novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, centenas de pessoas têm formado filas enormes em frente aos postos do Cadastro Único em várias cidades do Brasil. Desesperados, milhares de brasileiros buscam informações e cadastramento para benefícios sociais.

Segundo o G1, grandes movimentações foram registradas na Bahia, Pará, Maranhão, Pernambuco, entre outros estados. Na Bahia, para conseguir o atendimento, que só começou às 7h desta sexta-feira (5), muitas pessoas dormiram na fila.

Teve também quem colocou cadeiras, manequins, caixas e até pedaços de madeira para guardar vaga, devido ao baixo número de senhas – apenas 100. Na Grande Recife, houve relatos de pessoas que chegaram ao local às 17h desta quinta-feira (4), além de denúncias de venda dos primeiros lugares de atendimento.

Em São Luís, no Maranhão, segundo os beneficiários, há dias inúmeras pessoas ficam nas filas aguardando a distribuição de senhas, mas somente cerca de 30 são dadas por dia.

O CadÚnico é a porta de entrada de famílias de baixa renda em programas sociais do país, e deve ser usado, também, para registro no Auxílio Brasil. O governo prevê começar a pagar no próximo dia 17, segundo o calendário do agora extinto Bolsa Família, mas ainda não há qualquer definição sobre o programa.

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Situação pode ser semelhante à vista no pós-Segunda Guerra

Em entrevista exclusiva à Fórum, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e uma das criadoras do programa Bolsa Família, a economista Tereza Campello, que atualmente é pesquisadora convidada do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde e professora titular da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares, da USP, explica que o país pode viver uma situação de miséria inédita em sua história.

“É uma situação dramática. Se eles não fizerem nada, a situação de caos e de desproteção será um padrão jamais visto na história do Brasil recente, do pós-Segunda Guerra. Nós desconhecemos uma situação parecida.”

A economista aponta, ainda, que outro grave problema que surge é a desnutrição, e o quanto isso afeta as crianças e o futuro do Brasil.

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“Em dezembro de 2020 já tinha 50% da população brasileira em situação de insegurança alimentar. Então, imagina sem auxílio emergencial nenhum. É a barbárie. Além do sofrimento da fome, essas crianças que passaram os primeiros quatro meses do ano sem comer direito… Quando a gente fala situação de insegurança alimentar grave, é porque ela já chegou nas crianças”, explica Campello.

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Carolina Fortes

Repórter colaborativa no site Emerge Mag e antiga editora-assistente no site da Jovem Pan. Ex-repórter no site Elástica. Formada em jornalismo e faz a segunda graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Acredita no jornalismo como forma de impacto social e defende maior inclusão e representatividade.

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