Após terrorismo de Queiroga, análise conclui que adolescente não morreu da vacina

Caso foi estudado por 70 especialistas, que não têm dúvidas de que o jovem foi vítima de "Púrpura Trombótica Trombocitopênica". Bolsonaro e ministro usam tragédia para criar pânico e suspender vacinação dessa faixa etária

Uma análise conjunta realizada por 70 especialistas vinculados à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo concluiu que a morte do adolescente de 16 anos, morador de São Bernardo do Campo, ocorrida oito dias após receber uma dose da vacina da Pfizer, foi provocada, na verdade, por uma doença autoimune rara chamada “Púrpura Trombótica Trombocitopênica”, sem qualquer relação com o processo de imunização ao qual havia sido submetido.

A morte do garoto, que não teve a identidade revelada, ocorreu em 2 de setembro, mas só no dia 15 do mesmo mês chegou ao conhecimento das autoridades sanitárias, por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). A partir daí, profissionais da área médico-científica passaram a analisar minuciosamente o ocorrido.

Ainda que doenças autoimunes possam reagir mal com imunizantes, no caso da vacina da Pfizer, que utiliza uma tecnologia denominada RNA Mensageiro, esse tipo interação está descartado.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente Jair Bolsonaro aproveitaram o episódio para propagar suas teses negacionistas infundadas e fazer terrorismo psicológico com pais e adolescentes. Por conta da informação precipitada, Queiroga emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão da imunização em jovens entre 12 e 17 anos em todo o país.

Apesar do alarde, a maior parte dos estados manteve a vacinação dos adolescentes, ignorando a orientação do Ministério da Saúde, que soou como mais uma pirotecnia ideológica grotesca da ala bolsonarista que loteia boa parte da administração federal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também se manifestou em relação à nota técnica do Ministério da Saúde e manteve a posição anterior ao caso, de dar sequência na vacinação destes jovens, sob o argumento que não havia indícios de que a dose da Pfizer aplicada no garoto de São Bernardo do Campo provocou sua morte. O parecer da Anvisa lembrou ainda que países cientificamente desenvolvidos, como Austrália, Canadá e EUA, seguem cumprindo o protocolo adotado aqui no Brasil.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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