Venda da Refinaria Abreu e Lima fracassa

O resultado do processo, no entanto, parece não conter a sanha privatista da diretoria da Petrobras, que vai seguir com a venda de refinarias

Depois de mais de dois anos de tentativas, a Petrobras decidiu encerrar nesta quinta-feira (25) o processo de venda da Refinaria Abreu e Lima. Todos os interessados decidiram retirar suas propostas de compra da refinaria localizada em em Ipojuca (PE).

“Petrobras informa que interessados no processo de venda da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) declinaram formalmente de apresentar proposta vinculante para compra da refinaria. Assim, a Companhia está realizando os trâmites internos para encerramento do processo de venda em curso e avaliará seus próximos passos”, disse empresa em nota.

Mesmo com o fracasso, a direção da Petrobras reforçou que segue empenhada em vender ativos da estatal. “A Petrobras reforça o seu compromisso com a ampla transparência de seus projetos de desinvestimento e de gestão de seu portfólio e informa que as etapas subsequentes dos projetos em curso serão divulgadas ao mercado”, afirma.

Seguem à venda a Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), em Canoas (RS), Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Betim (MG), a Refinaria Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR), em Fortaleza (CE), e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul (PR).

FUP contra a venda de refinarias

Todos esses desinvestimentos são alvo de frequentes protestos da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Este ano os trabalhadores já cruzaram os braços mais de uma vez para tentar impedir o sucateamento da Petrobras.

Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, disse à Fórum acreditar que a mobilização dos petroleiros está entre os fatores que impediram o sucesso da negociata. “Sem dúvida alguma ,os processos que nós ingressamos na justiça com relação à venda da refinaria da Bahia [Landulpho Alves, RLAM] serviram para alertar a gestão da Petrobras que não tem como mais continuar vendendo ativos da empresa a preço de banana ou na bacia das Almas, como diz o ex-presidente da empresa de Sérgio Gabrielli”, afirmou. “A Refinaria da Bahia foi vendida a preço vil e os processos que tramitam hoje alertaram a gestão da empresa”, declarou.

Conforme aponta Bacelar, a Abreu e Lima é uma refinaria grande com um processamento de cerca de 230 mil Barris de petróleo por dia. Além disso, a refinaria produz um diesel de alta qualidade – S5, com baixíssimo teor de enxofre -, o que a valoriza ainda mais. “A gestão da empresa fica sem justificativa para vender um ativo desse porte a um preço muito abaixo ou abaixo da sua avaliação financeira”, afirma.

Outro fator que pesou, segundo Bacelar, foi a desvalorização cambial. “A política econômica desequilibrada do Paulo Guedes tem feito com que haja uma desvalorização grande do real perante o dólar, então, isso gera um impacto principalmente para empresas internacionais que tenham interesse em adquirir ativos da Petrobras aqui no Brasil”, apontou.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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