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20 de outubro de 2019, 13h34

Viagem ao Brasil, por Flávio Aguiar

Os governantes – o presidente na frente – fazem e dizem imbecilidades porque é o que de fato pensam: são imbecis e estúpidos mesmo. São como as crianças de uma família que vai a uma festa e lá só fazem coisas que a envergonham

Bolsonaro, durante Reunião bilateral com Trump - Foto: Alan Santos / PR

Por Flávio Aguiar*

A Chegada

Curioso: para chegar ao Brasil, vindo do estrangeiro, a gente precisa se livrar de uma certa bagagem, ao invés de levá-la. Dou exemplo: na mídia mainstream internacional, o patético (ou pateta?) discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi descrito como “nacionalista”. Por que? Porque reivindicava a Amazônia para seus desmandos e arbítrios.

Pode?

Pode. Porque “nacionalista” no Norte do mundo significa uma coisa, e no Sul outra. As palavras mudam de significado ao cruzarem oceanos e hemisférios.

Há duas palavras, e “nacionalista” é uma, que vêm semeando muita confusão na leitura do que está acontecendo no mundo. “Populista” é outra. E estas palavras, com seu significado transoceânico, vêm invadindo a mídia conservadora brasileira e até mesmo a de esquerda.

Tradicionalmente, “populista” era expressão que a direita reservava para as esquerdas no Brasil. Atenção: não era sinônimo de “comunista”. Leonel Brizola (que saudades!) era “populista”. O Vargas da Petrobras e do aumento de 100% no salário mínimo em 1954 também era. “Nacionalistas”, por exemplo, eram os generais Newton Estillac Leal e Horta Barbosa, defensores do monopólio estatal do petróleo nos anos 1950.

Presidente do Clube Militar de 1950 a 1952, Estillac Leal foi derrotado pelo General Alcides Etchegoyen, “americanófilo”, favorável ao alinhamento total do Brasil com os Estados Unidos, e líder da chapa “Cruzada Democrática”, na eleição de 1952. Logo depois de eleito, Alcides Etchegoyen proibiu discussões sobre o tema do monopólio do petróleo nas dependências do clube. Mas era tarde: a Petrobras, motivo de eterno ódio por parte da direita “entreguista” (outro termo da época), seria criada em 03 de outubro do ano seguinte.

Idem, “nacionalista” era Leonel Brizola, quando encampou a Companhia de Energia Elétrica (subsidiária da Bond and Share) em 1959 e a Companhia Telefônica Nacional (que de nacional só tinha o nome, sendo subsidiária da International Telephone and Telegraph Corporation) em 1962, coisa que lhe valeu ser chamado de “demagogo” na mídia norte-americana.

No jargão das esquerdas, Lacerda (por exemplo), que Olavo de Carvalho, Sérgio Moro e Dallagnol tentam imitar sem o brilho intelectual daquele, também era “entreguista” e “americanófilo”. Idem, era o primeiro embaixador brasileiro em Washington depois do golpe de 1964, Juraci Magalhães, autor da frase “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Bolsonaro também é e não esconde ser, na verdade, “americanófilo” e “entreguista”, na melhor tradição da herança lacerdista em nosso país.

Mas na maioria da mídia internacional, mesmo aquela que se autodefine como de centro-esquerda, anti-Trump, “populista” é quem foge ao padrão economista liberal, apelando às massas populares diretamente. Há assim um “populismo de direita” e um “populismo de esquerda”. Para o pensamento liberal, ambos, como as paralelas, se encontram no infinito, igualando-se ao fim e ao cabo. É este tipo de pensamento que justifica, na mídia meio-liberal brasileira, considerar que Haddad (ou Lula) e Bolsonaro eram faces diferentes da mesma moeda, como aconteceu durante o processo eleitoral do ano passado.

Convenhamos: Bolsonaro, embora queira passar por cima ou pelo lado das instituições da democracia liberal, não é “populista”. Suas propostas e medidas nada têm de “populares”. Pelo contrário: no máximo poderia ser considerado um projeto de fascista, com seu estilo ditatorial. Ele não governa para o “povo”, nem a ele se dirige, mas sim para sua claque de correligionários.

Haveria um “populismo de direita” na história brasileira? Pode ser, se considerarmos figuras como Ademar de Barros, que apoiou o golpe de 64 e, sobretudo, o Jânio Quadros de 1961, cuja renúncia é descrita por muitos analistas como uma tentativa de passar por cima das instituições e retornar ao poder ditatorialmente, “conduzido pelas massas”. Deu no que deu, isto é, não deu.

Pois bem, em conclusão, ao aterrissarmos no Brasil deixamos de lado, na alfândega, as expressões “nacionalista” e “populista” para observar mais de perto o que está acontecendo no país. Procuramos simplesmente relatar algumas impressões de viajante de retorno em sua própria pátria.

A síndrome de Império ou o complexo de Ilha

Países muito grandes, ex-impérios, imperialistas ou com tal vocação, compartilham algo em comum com os muito pequenos, sobretudo aqueles que se resumem a uma ilha. É o sentimento de que “tudo” se passa nos seus limites, ou falta de. A sensação de isolamento ou de amplidão tende a levar a esse tipo de sentimento.

Basta ver o caso dos Estados Unidos, onde qualquer campeonato de qualquer coisa recebe o pomposo título de World Series. E no Reino Unido – que é uma ilha – ainda há quem rememore o tempo em que era sede de um império onde “o sol nunca se punha”. Esta nostalgia foi um dos fatores que levou muita gente a votar pelo Brexit em 2016, segundo pesquisas da época.

O Brasil não só não foge à regra, como combina ambos os sentimentos: o da amplitude desmedida com o isolamento insular. Penso que esta é uma das razões pela qual se encontra tão seguido, em comentários na mídia e fora delas sobre diversas situações controversas e desagradáveis no país, como no caso dos desmandos da Lava Jato, da sua impunidade judicial e das arbitrariedades do governo de Bolsonaro (sem falar em outras ocasiões, como no ilegítimo, ilegal e inconstitucional impeachment de Dilma Rousseff), expressões do tipo: “se fosse num país civilizado”, “em países do primeiro mundo” etc.

“Civilizado”, neste contexto, traduz-se por “na Europa Ocidental” ou “nos Estados Unidos”. Até o Canadá e o Japão ficam de fora do significado conotativo da expressão.

Isto intensifica o sentimento doloroso de que somos um aleijão no concerto das nações, apoiado por considerações de que “fomos o último país a abolir a escravidão” (o que não é verdade, embora seja uma vergonha que o país a tenha mantido por 66 anos depois da Independência, e a tenha abolido de maneira tão incompleta, como aconteceu).

Está certo que Bolsonaro e o lawfare da Lava Jato são casos extremos. Mas de modo nenhum são isolados. Intensificam tendências mundiais. Basta ver o cortejo de barbaridades ilegais cometidas por Trump, além de suas atrocidades políticas, ou por Salvini na Itália, ou ainda toda a atuação das forças de extrema direita na Europa “civilizada”. E deve-se levar em conta que toda a indústria da Lava Jato foi montada intelectualmente nos Estados Unidos, de maneira análoga ao que acontecia com os torturadores do passado recente, treinados por especialistas norte-americanos ou seguidores dos modelos que os franceses aplicaram na Argélia, por exemplo.

Os ditames neoliberais que se aplicam a ferro e fogo hoje no Brasil são semelhantes aos princípios que regem as políticas de austeridade hegemônicas na Europa inteira, com algumas exceções, e nos Estados Unidos, onde foram aplicadas sem ferro nem fogo, muitas vezes por governos ditos socialdemocratas, socialistas ou dos democratas. É verdade que existem colchões de proteção mais amplos e eficazes do que os brasileiros em países como a Alemanha e a França, mas assim mesmo a retirada de direitos do mundo do trabalho tem sido dramática e avassaladora, embora não devastadora, como no nosso caso.

Que isto não soe como atenuante, mas simplesmente como um enquadramento do nosso Brasil em um contexto mundial.

Mudanças na paisagem: Deus, o desamparo e o desespero

Postas todas estas ressalvas, o panorama que se descortina no Brasil é desolador. Deve-se assinalar que percorri grandes e médias cidades, não a zona rural. Entra pelas retinas tão fatigadas o espantoso aumento do número de moradores de rua. Onde antes havia dezenas, agora há centenas; onde havia centenas, agora há milhares.

Uma novidade: em relação a momentos históricos passados, a miséria tornou-se mais estratificada. Explico-me. Para mim, historicamente, a miséria era algo absoluto, um desprovimento em bloco, de abandono e carência. Quando visitei a Índia pela primeira vez, durante o Fórum Social Mundial de 2004, constatei espantado que a miséria seguia uma hierarquia.

Em Mumbai, o número de moradores de rua era inacreditável. Quando dormiam, via-se a estratificação. Havia os que dormiam no chão bruto; os que dispunham de um papelão por baixo; os que, além deste, dispunham de um papelão por cima; a seguir, os que tinham um cobertor, mesmo que fosse um trapo; e havia os que tinham um colchão, e depois um colchão e um cobertor. Por fim, havia as famílias que dispunham de um quartiúnculo (não encontrei outra expressão), em que as pessoas se revezavam alternadamente durante a noite, dormindo uns dentro, outros fora.

Pois bem: ainda que de modo diferente, a estratificação da miséria é hoje mais evidente no Brasil do que era há cinquenta anos. Ela se revela no número de cobertores, nas roupas disponíveis, no espaço de relento que cada um dispõe. Um detalhe significativo: este quadro de depauperamento social me pareceu mais pungente em cidades do Sul, como em São Paulo e Porto Alegre, do que no Nordeste, como em Fortaleza ou Salvador. Impressão? Pode ser. Percepção mais aguçada do que antes? Também pode ser. Fica o registro.

Multiplicaram-se as cenas de abandono. Em São Paulo, vi prédios dos antigos projetos Cingapura completamente abandonados, cercados por favelas recém-construídas. Vi casas (?) de madeira, papelão e zinco postas à venda.

O sentimento dominante – não apenas entre os mais pobres – é o de desamparo, seguido pelo do desespero de que nada vai mudar no prazo de vida que as pessoas têm. Cidades como São Paulo e Porto Alegre parecem abandonadas ao Deus-dará.

Segue-se a esta percepção o fato de que nunca ouvi tantas vezes a invocação do nome de Deus por metro quadrado, desde a nefasta propaganda de governantes federais até aquela dita por quem não tem mais em quem confiar.

O fator classe média e outros

Prosseguindo na viagem: poucas vezes na nossa história invocou-se tanto a expressão “classe média”. É uma expressão de difícil e impreciso contorno, a tal ponto que cada usuário dela deveria explicitar o que quer dizer quando a emprega. É definida por um nível de renda, como nas contas oficiais? Um determinado status social? Um nível de consumo? É o equivalente àquilo que os marxistas definem como “pequena-burguesia”? É tudo isto junto e mais alguma coisa?

Pode ser. Mas o fato é que a julgar por certas declarações e análises, a dita classe média tornou-se a culpada de tudo no Brasil. Além de ser branca, racista, homofóbica, misógina e muito mais.

Calma: há tudo isto na classe média, e ainda há o fato de que muitos membros desta faixa de renda se identificam com o andar de cima e olham com pânico para o andar de baixo da estratificação social, por temor de nele cair ou pelo temor de vê-lo subir. Ainda mais numa sociedade como a brasileira onde a noção de “direitos” se confunde com a de “privilégios”. Não me esqueço de palavras de ordem anti-Dilma, por ocasião de manifestações pelo seu impeachment: “aeroporto não é para pobre”; “é justo ter de pagar salário mínimo para uma empregada?”, etc. etc.

Ocorre que algumas vezes o fervor em desancar a classe média oculta a realidade e a preponderância dos rentistas e outros burgueses do andar de cima. E o fato de que sem esses, e seus arautos na mídia e fora dela, não haveria Bolsonaro que se elegesse. Vá lá: o ressentimento de parte da classe média, premida por políticas de cotas, o desamparo de muita gente pobre, o descrédito na política e nos políticos “tradicionais”, fossem de direita, centro ou esquerda, a pregação reacionária de muitas igrejas evangélicas, tudo isso foi fundamental para elegê-lo.

Mas sem o concurso, o apoio, a cumplicidade, a instigação do andar de cima, de sua mídia, de seu financiamento da indústria de fake news, nada disso estaria acontecendo. E esta fatia da sociedade brasileira continua sendo fundamental para manter o que resta de apoio ao cada vez mais periclitante governo Bolsonaro (o que não quer dizer que ele vá cair em breve).

Dou dois exemplos, também colhidos quase ao acaso nessa viagem. Um amigo convive com círculos financeiros, por razões profissionais. São pessoas na grande maioria de direita, é claro. Até aí estamos no mundo da normalidade. Formaram um grupo de WhatsApp, onde meu amigo foi incluído. Bastou Bolsonaro dizer que não assinaria o prêmio Camões concedido a Chico Buarque para que a maioria do grupo começasse a falar mal do compositor e de sua obra. Suspensão da inteligência? Má-fé ambulante?

Segundo exemplo: uma amiga fica respondendo a postagens de conhecido comum (também do mundo financeiro) no Facebook, que também visito de vez em quando para saber o que “eles” estão vociferando. Em dado momento ela questionou-o sobre algo que ele escrevera: “Isto é mentira”, escreveu ela. “Se é contra o PT, não faz mal”, foi a resposta. Não era brincadeira, mesmo que de mau gosto. Era exatamente o que ele pensava. E por aí vai.

A retórica da imbecilidade

Andei ouvindo e lendo comentários de que as inúmeras imbecilidades que os governantes dizem e fazem são mera cortina de fumaça para disfarçar o que realmente pensam e vão fazendo, ou seja, a destruição de direitos, do Estado brasileiro, a ruptura institucional com a Constituição de 88, o desmonte de tudo o que se conseguiu construir desde a década de 30, apesar das ditaduras. Data vênia, discordo. Não vejo aí cortina de fumaça. Os governantes – o presidente na frente – fazem e dizem imbecilidades porque é o que de fato pensam: são imbecis e estúpidos mesmo. São como as crianças de uma família que vai a uma festa e lá só fazem coisas que a envergonham.

Veja-se o caso do presidente contra governantes europeus. Assinado o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, propalou-se que Trump não tinha gostado dele. De imediato o presidente, que antes se orgulhava do feito, passou a sabotá-lo, e da maneira mais vergonhosa possível: insultando não só o presidente francês, mas até a mulher dele. E nisso foi acompanhado pelo ministro Paulo Guedes, que quer dar mostras de que é o “lado inteligente” do governo.

Talvez seja, no fundo, o seu membro mais patético. Basta ver as fotos em que aparece, sempre com a boca aberta, como quem está rezando, e as mãos se agitando a sua frente, como quem joga ervas num caldeirão de mandinga. Bom, é isso que de fato faz: o que diz tem o valor de uma reza; o que prega, nunca deu certo em lugar nenhum; não passa de um aprendiz de feiticeiro que diariamente reza o mantra da reforma da Previdência como se fosse o pó de pir-lim-pim-pim que vai nos levar para a redenção e promete vender tudo o que o Estado tem para, no fundo, financiar as benesses que garantirão os votos para aquela no Congresso.

Dos outros nem preciso falar.

Luzes dentro do túnel

Fiquei saudavelmente surpreso com a extensão e a criatividade da Resistência – assim, com maiúscula – contra um dos principais alvos do governo de Bolsonaro e da metástase que tomou conta do aparato jurídico brasileiro a partir da Operação Lava Jato. São alvo e metástase que visam a construção de um Estado policialesco e censório que vigie e tolha a liberdade de cidadãs, cidadãos, corações e mentes. Há censuras – estimuladas ou espontâneas – em tudo, desde financiamentos à arte e a cultura, passando por perseguições judiciais – de que aquela contra o ex-presidente Lula é a ponta de lança e do iceberg – até o olhar vigilante de milícias digitais ou nas ruas sobre tudo o que for símbolo daquela Resistência.

Não posso me estender sobre tudo o que vi, assisti, ouvi, senti, por isso terei de me ater a algumas poucas manifestações, mas que são símbolos das demais.

Assisti à remontagem de Roda Viva, feita pelo Teatro Oficina em São Paulo, com direito à participação especial (não há palco…) do próprio Zé Celso. Atualíssima, embora fiel ao espírito original dos anos sessenta, divertidíssima e outras coisas em íssima, testemunhando a vitalidade do nosso teatro e de toda a cena do Brasil, que continua pródiga em inteligência, pertinência e outras coisas em “ência”, como paciência e veemência. O que rima, aliás, com a extraordinária resistência demonstrada por educadores e educandos às diatribes burras e arbitrariedades do ministro da (des)educação e de seu “filósofo” inspirador.

E testemunhei a vitalidade do cinema brasileiro, certamente ainda herdeira dos tempos da administração de Manoel Rangel na Ancine, que descortinou horizontes amplos para diretores, produtores, atores, cinéfilos etc., deixando um legado que marcará gerações. Claro: “Bacurau” esteve no começo da lista, imperdível (confira a análise de Ricardo Musse em A Terra É Redonda). Mas vi o também imperdível “Legalidade”, diante do qual não pude conter minha emoção de testemunha que fui daquela Resistência heroica do povo brasileiro ao primeiro golpe dos anos sessenta. E nostalgia por nostalgia, devo dizer que me deu saudade do “caudilho populista” que me ajudou a abrir este comentário viageiro, Leonel Brizola. Assisti ainda a filmes valorosos como “Domingo” e “Sócrates”, abordando diferentes aspectos de nossas crises sociais, da alta burguesia ao abandono programático da nossa infância e adolescência.

Tudo isso e muito mais, em conversas ensolaradas ou enluaradas me deu a certeza de que, se ainda estamos longe de ver a luz no fim do túnel, certamente temos tochas de inteligência que nos ajudam na passagem.

*Flávio Aguiar é escritor, jornalista e professor. Autor, entre outros livros, de “A Bíblia segundo Beliel: da Criação ao Fim do Mundo: como tudo de fato aconteceu e vai acontecer” (Boitempo, 2012).

Este texto foi publicado originalmente no site A terra é redonda

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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