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03 de dezembro de 2019, 11h16

“Vou ser um dos favelados que vai conquistar o mundo”, disse Dennys Guilherme, um dos assassinados em Paraisópolis

Por conta da truculência da PM, Dennys e outros oito jovens tiveram seus planos e sonhos interrompidos

Reprodução/Facebook

Em abril deste ano, o jovem Dennys Guilherme, de 16 anos, compartilhava nas redes sociais um de seus sonhos para o futuro: “vou ser um dos favelados que vai conquistar o mundo. Vou ser pra minha mãe o motivo de tanto orgulho”. Ele não teria como saber que, meses depois, uma operação policial no baile da DZ7, em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, tiraria sua vida. Por conta da truculência da PM, Dennys e outros oito jovens tiveram seus planos e sonhos interrompidos.

Nascido em Maracás, na Bahia, o adolescente se mudou para Carapicuíba, na Grande São Paulo, com o objetivo de tentar uma vida melhor. Tanto para si, quanto para sua família: sua irmã, na época, estava grávida de nove meses. A mãe é cadeirante e tem histórico de infartos.
Familiares comentam que Dennys costumava reclamar da violência policial na dispersão dos bailes que frequentava. Preocupados, parentes pediam para que ele deixasse de frequentar os eventos. No entanto, para um jovem de 16 anos e favelado, os bailes funk costumam ser uma das únicas formas de lazer disponíveis. Ouviam como resposta que não havia lazer em Carapicuíba e que não podiam impedi-lo de viver sua juventude.
“Não vai ficar impune, nem no esquecimento. Ele era trabalhador, morava sozinho, tinha sonhos, tinha planos. Tem que ter uma lógica, tem que ter uma explicação. E ninguém deu explicação”, afirmou a cunhada do adolescente, em entrevista ao UOL.
“Em Carapicuíba, a gente não tem nada. Minhas filhas gostam de ir no Tatuapé, eles gostam de ir na DZ7. Sei que faz barulho, os vizinhos reclamam, mas não dá o direito de fazer isso. É impunidade”, complementou.
Além de Dennys, Marcos Paulo, Bruno, Eduardo, Denys Henrique, Mateus, Gustavo, Gabriel e Luara também foram vítimas do massacre promovido pela polícia na ação que leva o grosseiro e irônico nome de “Operação Pancadão”, ocorrida na segunda maior comunidade da capital paulista. Com 100 mil habitantes, a favela de Paraisópolis faz divisa com os luxuosos condomínios Jardim Vitória Régia, Paço dos Reis e Portal do Morumbi.
“Asfixia”
Pelo menos dois laudos do IML apontam a mesma causa de morte para as vítimas do massacre do último domingo (1). Segundo a avaliação, Luara e Dennys morreram por “asfixia mecânica por sufocação indireta”, ou seja, foram sufocados.

Em entrevista à revista Época, Patrícia Maceratesi Oliveira, tia de Luara, disse não acreditar na versão da polícia de que as vítimas morreram pisoteadas durante a confusão. Familiares de Dennys Guilherme têm a mesma visão sobre o ocorrido. Dennys foi velado e enterrado no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da capital paulista. Ele trabalhava como jovem aprendiz em uma empresa de telemarketing e também estudava.

 

 


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