No rastro do óleo do Nordeste
05 de agosto de 2019, 16h23

Witzel nomeia deputada major Fabiana, do PSL, para Secretaria de Vitimização Policial

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), as mortes de policiais em serviço caíram 63% entre janeiro e junho deste ano, enquanto as mortes de civis subiu 15%

Reprodução/Câmara dos Deputados

A deputada federal major Fabiana de Souza (PSL-RJ) foi anunciada nesta segunda-feira (5) pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), como responsável pela recém-criada Secretaria de Vitimização Policial. Ela é a primeira integrante do PSL a assumir um cargo no governo Witzel e pode gerar uma reaproximação do governador com o partido de Jair Bolsonaro, rearticulando, assim, uma relação que estava desgastada.

A nova secretaria, segundo Witzel, tem como objetivo “cuidar da vitimização dos policiais e das pessoas com deficiência, mas não só isso, vitimização de maneira ampla”. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no entanto, as mortes de policiais em serviço caíram 63% entre janeiro e junho deste ano, enquanto as mortes de civis subiram 15%. Em números totais, a diferença fica mais díspare: foram sete casos de policiais mortos contra 881 casos de civis – no primeiro semestre do ano passado os números marcavam 669 mortos.

A deputada estadual Renata Souza, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, com bases nesses dados, cobrou esclarecimentos do governo Witzel. “O governo Witzel deveria, antes de tudo, esclarecer o papel de uma secretaria como essa. Afinal, o índice de mortes violentas intencionais aponta a média, no Rio de Janeiro, de 20 pessoas assassinadas por dia. Pelo nome fornecido, a secretaria deveria atender tanto as pessoas que são vitimadas por policiais, quanto o próprio policial também vítimado”, disse à Fórum.

Souza disse que espera da nova secretária que ela use seus conhecimentos da corporação para fazer diferente de Witzel. “Sendo a major Fabiana oriunda da corporação, conhecendo os limites e os reflexos perversos de uma política de guerra para os policiais, torço que possa fazer diferente do governador. E assim contribuir para a proposição de uma política pública de segurança humanizada, tanto para os policiais quanto para a população. E, enquanto presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, me coloco à disposição”, comentou.

A major Fabiana de Souza é a primeira integrante do PSL a fazer parte do gabinete de Witzel, que conta com nomes do PSDB e do MDB. Apesar de fazer parte da base, o partido já teve rusgas com o governador. O vice-líder do governo na Alerj, deputado Alexandre Knoploch, é um dos que não poupa Witzel.


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