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05 de setembro de 2019, 09h09

Youtuber Bolsonarista volta ao século XVI e diz que mais que floresta, índio precisa se “converter a Deus”

Doutrinado por Olavo de Carvalho, o youtuber Bernardo Küster também pediu para que bispos católicos reajam ao Sínodo da Amazônia, encontro do Vaticano que é considerado por Bolsonaro uma "agenda de esquerda"

O youtuber bolsonarista Bernardo Küster (Montagem)

Doutrinado por Olavo de Carvalho, o youtuber Bernardo Küster, conhecido por defender visões conservadoras ligadas ao bolsonarismo, publicou em seu Twitter nesta quinta-feira (5) que os indígenas precisam mais de “conversão” do que de floresta ou apoio da Funai (Fundação Nacional do Índio). Depois de defender tal visão colonial do século XVI, o youtuber também pediu que bispos católicos reajam ao Sínodo da Amazônia, encontro que ocorrerá mês que vem no Vaticano e que é considerado pela extrema-direita como uma “agenda de esquerda” do clero progressista.

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“Mais do que floresta, Hilux e FUNAI, índio precisa de conversão (como qualquer um de nós). Bispos católicos de verdade, reajam, ou Deus poderá cobrar a conta. E sairá caro – bem caro”, escreveu. Na sequência, Küster menciona o Sínodo e faz convocatória para que autoridades católicas brasileiras se posicionem contrárias ao encontro.

“O Brasil tem UM bispo que se pronunciou publicamente CONTRA os absurdos que poderão ocorrer no Sínodo da Amazônia: Dom Azcona. Foi o ÚNICO até agora! Por que outros, e há tantos bons, não falam também? Garanto que terão apoio maciço do povo católico”, completou.

O Sínodo dos Bispos acontecerá no próximo mês, entre 6 e 27 de outubro, no Vaticano. Encontro reunirá 250 lideranças católicas de todo o mundo para discutir por 23 dias o tema “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Desde que foi anunciado o encontro, o governo de Bolsonaro tem soltado inúmeras críticas às lideranças religiosas católicas do país que demonstraram apoio ao Sínodo e ao Papa Francisco.

Perseguição
No sábado (30), Bolsonaro chegou a reafirmar que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estava monitorando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apoiadora do encontro. No dia seguinte, a CNBB lançou uma contra-ofensiva nas redes sociais para rebater as críticas do governo. Lamentamos imensamente que hoje, em vez de serem apoiadas e incentivadas, nossas lideranças são criminalizadas como inimigos da pátria”, escreveram, em carta aberta.

O texto que será analisado no encontro é dividido em três linhas de ação: “A voz da Amazônia”, “Ecologia Integral: o clamor da terra e dos pobres” e “Igreja Profética na Amazônia: desafios e esperanças”. Ele servirá de apoio para discutir temas como a riqueza cultural e ecológica da região, mudanças climáticas causadas por desmatamentos, os direitos de quilombolas e a crise migratória da Venezuela.

Confira as publicações de Küster:


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