Raimundo Bonfim

20 de março de 2019, 06h00

Calam Lula para não gritarmos em defesa dos direitos

“Eles achavam que se prendessem Lula prenderiam com ele toda a indignação do povo brasileiro. Mas, por onde tenho andado, vejo nos olhos de cada um a vontade e a coragem de enfrentar qualquer ataque”, afirma Raimundo Bonfim

Foto: Ricardo Stuckert

Já faz algumas décadas que para os movimentos populares, o mês de abril é conhecido como “abril vermelho”. É um momento de reflexão e luta sobre aqueles que deram suas vidas na defesa dos direitos da classe trabalhadora e por um Brasil mais justo.

Neste ano, ainda temos muito pelo que lutar. No dia 7 de abril, completará um ano em que a Operação Lava Jato prendeu Lula, o maior líder popular vivo brasileiro, sem que ele tenha cometido nenhum crime.

Lula foi preso porque seria eleito novamente presidente e seguiria o projeto que o golpe interrompeu em 2016. Um projeto da distribuição de renda e promoção da igualdade através do desenvolvimento.

Estive em Curitiba no começo desta semana para ajudar a articular e organizar a jornada em defesa da liberdade de Lula, que vai acontecer entre 7 e 10 de abril, e deve receber caravanas de muitos cantos do Brasil em defesa do projeto.

Conversando com um companheiro, nos lembramos de como Lula não precisava de Twitter para governar e se comunicar com o povo, pois ele era o presidente do povo. Estava presente nas fábricas, nos bairros, nas universidades. Dialogava com os representantes do movimento sindical, do movimento estudantil e dos movimentos populares.

Veja também:  Vídeo: veja depoimento de executivo da Odebrecht dizendo que foi coagido a criar versão sobre sítio atribuído a Lula

Lula não precisava abrir mão da soberania nacional, como a base dos EUA em Alcântara, no Maranhão, e a venda da Petrobras, para ser reconhecido e respeitado no cenário internacional. Obama disse que ele era “o cara”; ele foi indicado oficialmente para o Prêmio Nobel da Paz; setores da ONU reconhecem sua prisão injusta.

E Bolsonaro?

O projeto de Bolsonaro, vitorioso nas urnas em 2018, já demonstra a que veio. Chama a atenção da sociedade pelos comentários que não dizem respeito ao Estado e à figura do presidente (o que é “Golden Shower?”), e por outro lado, quer colocar a conta da crise nas costas dos trabalhadores, sem demonstrar nenhuma abertura para diálogo. Pelo contrário, incita violência e ódio contra quem demonstre discordar de suas ideias.

Chamo atenção para a proposta da reforma da Previdência, que promete demolir nosso direito de aposentadoria. Eles querem nos ver morrer trabalhando, aumentando a idade mínima e tempo de contribuição, além de desmontar o sistema de Seguridade Social.

No dia 8 de março, as mulheres brasileiras já começaram a demonstrar para a sociedade as maldades dessa proposta, pois setores que já são menos valorizados na sociedade, como os professores, e pessoas mais vulneráveis, como os idosos e pessoas com deficiência em situação de miséria, ficarão sem o Estado para recorrer.

Veja também:  João Doria corteja Tabata Amaral: "Ela é rosto, alma e coração do novo PSDB”

É por isso que prenderam Lula! Lula está preso para não somar seu grito ao nosso.

Por isso, convido a todos para se juntarem aos milhões de Lula às ruas na próxima sexta-feira, 22 de março, contra a reforma da Previdência.

Levaremos a bandeira Lula Livre neste dia também, pois sabemos que, com ele, a nossa chance de ver um Brasil feliz de novo é maior.

Abril de 2019 será vermelho-sangue mais uma vez. Por Marielle, por Mestre Moa do Katendê, pelos assassinados no crime da Vale em Brumadinho, pelos estudantes de Suzano, por Eldorado dos Carajás e por Lula, pois ele representa hoje a defesa da democracia brasileira e os direitos da classe trabalhadora.

Eles achavam que se prendessem Lula prenderiam com ele toda a indignação do povo brasileiro. Mas, por onde tenho andado, vejo nos olhos de cada um a vontade e a coragem de enfrentar qualquer ataque. Por isso, eu tenho muita esperança e sigo lutando de mãos dadas com meus companheiros e minhas companheiras.