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16 de fevereiro de 2019, 20h36

Carnaval sem deboche não é carnaval, talquey?

“A culpa é do PT”; “Nossa bandeira jamais será vermelha”; “Essa mamata vai acabar”: frases repetidas à exaustão pelo novo governo serviram de base para marchinhas satíricas da Família Passos que, diretamente da terra da Lava Jato, tem levado a internet ao delírio

A Família Passos (Reprodução/Facebook)
O carnaval, historicamente, é um respiro para que os brasileiros brinquem e riam dos seus próprios problemas. Em 2019 não poderia ser diferente e, neste sentido, a Família Passos já se adiantou e compôs uma série de marchinhas satíricas ao governo Bolsonaro quem têm levado internautas ao delírio. Diretamente de Curitiba, terra da Lava Jato, pai, mãe e as duas filhas tem divulgado em seu canal do YouTube vídeos de marchinhas que satirizam Jair Bolsonaro, Damares Alves, Sérgio Moro, Fabrício Queiroz e cia. A piada não perdoa nem mesmo o “pobre de direita”, a “Barbie fascista” e usa frases prontas...

O carnaval, historicamente, é um respiro para que os brasileiros brinquem e riam dos seus próprios problemas. Em 2019 não poderia ser diferente e, neste sentido, a Família Passos já se adiantou e compôs uma série de marchinhas satíricas ao governo Bolsonaro quem têm levado internautas ao delírio.

Diretamente de Curitiba, terra da Lava Jato, pai, mãe e as duas filhas tem divulgado em seu canal do YouTube vídeos de marchinhas que satirizam Jair Bolsonaro, Damares Alves, Sérgio Moro, Fabrício Queiroz e cia.

A piada não perdoa nem mesmo o “pobre de direita”, a “Barbie fascista” e usa frases prontas e jargões repetidos à exaustão pelos membros no novo governo e seus apoiadores que, nas marchinhas, servem com um dos principais componentes das letras. Talquey?

“A culpa é do PT e dessa corja vagabunda de artistas. Essa mamata vai acabar. O bozo é o mito. Fora, fora, comunistas! Nossa bandeira jamais será vermelha, quem garantiu foi Jesus na goiabeira. Chegou a hora da nossa oração, partiu igreja com a arma na mão. Bandido bom é bandido morto. Sou cidadão de bem porque sou cristão”, diz a letra da marchinha “Talquey Talquey”, a primeira a ser divulgada no canal, em janeiro, e que atingiu o maior número de visualizações.

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Lígia Passos, uma das filhas, contou à Fórum que a ideia de fazer marchinhas satíricas conectadas com o cenário político surgiu dos próprios memes das redes sociais. Violinista e envolvida em projetos sociais com música, Lígia ajuda a mãe, Marília Passos, na criação das letras. Marília, por sua vez, que deu aulas de música por mais de 25 anos em escolas públicas, é a responsável pela composição da melodia. O pai, Nilton Passos, toca percussão desde criança mas trabalha no Sindicato dos Metalúrgicos. A outra filha, Isis, assim como o pai, não trabalha com música mas herdou a afinação da mãe e da irmã.

“Não esperávamos tamanha repercussão. A gente sempre fez paródias e composições, tirando sarro de primos, tios, tias. A gente resolveu fazer isso com política e acabou se alastrando nas redes”, conta Lígia.

A Família Passos há anos faz marchinhas de carnaval e já ficou, inclusive, entre os finalistas de um concurso em 2008 no Rio de Janeiro com a marchinha do “ET de Copacabana”. O teor político, no entanto, é novidade.

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Para Lígia Passos, a sátira política vem agora até como uma forma de lidar com as “situações bizarras” deste governo.

“Estamos vivendo um absurdo atrás do outro, chega a ser bizarro. E a gente nem sabe o que vem pela frente. Então para dar conta de tudo isso, só dando risada. A gente tem que rir para não chorar. O humor é essencial”, explica.

Antenada ao noticiário político, a Família Passos não deixa escapar nada. A partir do sucesso de “Talquey Talquey”, os músicos seguiram acompanhando o noticiário político e as redes sociais e criando novas marchinhas de acordo com a própria ordem dos fatos e acontecimentos. Um exemplo é a “Marchinha do Foro Privilegiado”, lançada bem à época que Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar um foro privilegiado contra a investigação que é alvo no Ministério Público do Rio de Janeiro. “Bolsokid, tão moralista. Um exemplo para todos nós. Hoje ele usa o foro, para esconder as cagadas do Queiroz”, diz a letra.

O mesmo pode se dizer da marchinha “Cuidado capitão”, lançada durante o período em que Bolsonaro estava internado e que muitos setores aventavam um racha entre o presidente e o vice, o general Hamilton Mourão. “Coloca a farda vem curtir o carnaval. Conheço alguém que vai perder para o general. O nosso mito está preocupado, o seu querido vice está descontrolado. Cuidado, capitão, com a bota do Mourão”.

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Da internet para as ruas

Se nas redes sociais os vídeos viralizaram, no carnaval propriamente dito as marchinhas devem tomar as ruas. Uma dos vídeos da Família Passos chegou a ser compartilhado por Felipe Neto, considerado um dos maiores youtubers do Brasil, com milhões de seguidores.

A repercussão, naturalmente, deve levar a sátira para além do âmbito virtual. Lígia contou à reportagem que uma série de blocos de carnaval já procurou a Família Passos para pedir autorização para executar suas músicas, autorização essa que foi dada.

A própria família deve se apresentar em alguma festa ou bloco de carnaval com “Talquey Talquey” e outras marchinhas mas, segundo Lígia, ainda “não há nada definido”.

Confira todos os vídeos da Família Passos aqui.

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