Ivan Cosenza de Souza

cartas do pai

03 de julho de 2019, 20h51

Cartas do Pai: “Brasil Colônia”

Vamos comer carne importada, de bois brasileiros. Comprar gasolina feita com petróleo brasileiro e carros europeus feitos com aço do Brasil

Foto: Reprodução

Rio de Janeiro, 03 de julho de 2019.

Pai.

O governo brasileiro aceitou um acordo comercial com a União Europeia.

Depois de 20 anos, de repente, um acordo que foi considerado ruim por vários governos, (do FHC, do Lula e da Dilma) agora foi aceito. Por que uma coisa que era ruim pra esses outros governos, foi considerada boa por este?

Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo.

Essa é uma daquelas histórias que a gente só entende quando voltamos um pouquinho no tempo.

O acordo foi aceito depois da reunião do G20, e o que aconteceu lá mostra quem ganha com este acordo, mas mostra também pra onde o Brasil está indo.

Em uma reunião envolvendo as maiores economias do planeta, o presidente, mais uma vez, deslocado. Em vez de conversar com os maiores líderes mundiais, com possibilidades bilionárias de negócios, resolveu fazer propaganda de bijuterias de nióbio. Tentando vender colares e sei mais lá o quê, como se fosse um camelô.

Veja também:  CNMP deve avaliar caso contra Deltan Dallagnol em 13 de agosto

Lembrei da época do descobrimento, enquanto os brasileiros admiravam colares e espelhos, levavam embora nossas riquezas: ouro, Pau-Brasil, depois o café etc. Passamos a vender a matéria-prima e comprar os produtos industrializados.

O acordo que o camelô fechou facilita a exportação de matérias-primas brasileiras e diminui os impostos dos produtos industrializados europeus.

Vamos voltar a ser um país agrícola, enquanto as indústrias, o desenvolvimento e os empregos ficam na Europa. E o pior de tudo é ver gente comemorando, assim como os índios, em 1500.

Vamos comer carne importada, de bois brasileiros. Comprar gasolina feita com petróleo brasileiro e carros europeus feitos com aço do Brasil.

Bora voltar pra roça, pai!

Um beijo do seu filho,

Ivan

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.