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16 de outubro de 2017, 16h19

Chavistas celebram vitória, opositores questionam o resultado

Venezuelanos elegeram novos governadores neste domingo, mas as polêmicas devem continuar.

Venezuelanos elegeram novos governadores neste domingo, mas as polêmicas devem continuar. Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo Desde a eleição de Hugo Chavez (1998), a “Revolução Bolivariana” coleciona uma longa lista de conflitos, que só aumentaram com a eleição de Nicolás Maduro (2013) e a vitória da oposição na eleição parlamentar em 2015. Seguindo uma narrativa geral, em 2017 o governo de Maduro aparece para o mundo como autoritário e desastroso economicamente. Enfrentando diversos protestos, em especial no período entre abril e julho, os adversários buscam responsabilizá-lo por cerca de 100 mortes. Sob uma intensa guerra midiática,...

Venezuelanos elegeram novos governadores neste domingo, mas as polêmicas devem continuar.

Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo

Desde a eleição de Hugo Chavez (1998), a “Revolução Bolivariana” coleciona uma longa lista de conflitos, que só aumentaram com a eleição de Nicolás Maduro (2013) e a vitória da oposição na eleição parlamentar em 2015.

Seguindo uma narrativa geral, em 2017 o governo de Maduro aparece para o mundo como autoritário e desastroso economicamente. Enfrentando diversos protestos, em especial no período entre abril e julho, os adversários buscam responsabilizá-lo por cerca de 100 mortes.

Sob uma intensa guerra midiática, a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) foi eleita com o objetivo de aprimorar a Constituição Bolivariana de 1999. Pleito boicotado pelos opositores, que apontavam um Golpe de Estado, em que o parlamento seria destituído – fato que não aconteceu.

É neste contexto, como momento preparatório e decisivo para a próxima eleição presidencial, que ocorreu neste domingo (15/10/2017) a escolha de 23 novos governadores, com aproximadamente 18 milhões de eleitores aptos, contando, inclusive, com a participação dos partidos de oposição, liderados pela Mesa da Unidade Democrática (MUD).

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Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), os resultados apontam uma vitória dos chavistas no total nacional de votos nacional (54% x 45%) e, em termos de Estados, em que os bolivarianos teriam vencido em 17, contra 5 da oposição, em um total 23 (um estado ainda estaria em aberto).

Apesar de participar de auditorias prévias e haver acompanhamento internacional de especialistas, a oposição questionou o resultado apresentado pelo CNE. Para a MUD, a vitória do chamado Pólo Democrático (liderado pelo PSUV Chavista), é “suspeita”, “duvidosa” e distante do resultado da contagem paralela por eles organizada.

Dentre os destaques, ficam os resultados das eleições dos estados de Lara e Miranda, rincões da oposição, sendo esse último estado onde ocorreu os principais atos de violência entre abril e julho, unidade federativa, governada por Henrique Capriles (um dos maiores líderes opositores).

Por fim, resta saber como serão os próximos anos: a oposição aceitará o resultado? Investirá em métodos de desestabilização? As forças internacionais intervirão concretamente no cenário? E o chavismo, logrará vencer a guerra econômica? Ao que tudo indica, Maduro ganhou um fôlego extra.

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*Vinicius Sartorato é Sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização (Universidade de Kassel, Alemanha)

Foto: Wikimedia Commons

 

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