Cientistas europeus estão desenvolvendo um novo tipo de material que pode mudar a forma como produzimos, reparamos e consumimos objetos no futuro.
A partir de esporos bacterianos, estruturas microscópicas capazes de resistir ao calor e à falta de água, pesquisadores da Universidade Técnica de Delft criaram os chamados materiais vivos programáveis, que podem “adormecer” e “acordar” sob comando.
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Os resultados, publicados na revista Science Advances, mostram que esse tipo de biomaterial pode funcionar como alternativa sustentável a plásticos e concretos, além de ser usado em embalagens inteligentes ou superfícies que se autorreparam. O estudo, liderado por Jeong-Joo Oh, Franka van der Linden e Marie-Eve Aubin-Tam, utiliza duas espécies bacterianas: Komagataeibacter rhaeticus, que produz fibras de celulose, e Bacillus subtilis, conhecida por formar esporos extremamente resistentes.
Ao combinar as duas, os cientistas criaram um material forte, adaptável e funcional, capaz de detectar substâncias, decompor poluentes e até reparar pequenas fissuras. A ideia é que, no futuro, esses materiais possam ser aplicados em infraestruturas urbanas, reduzindo o uso de cimento e derivados de petróleo.
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Diferente de outros compostos biotecnológicos, os ELMs (Engineered Living Materials) conseguem manter sua funcionalidade por meses, já que os esporos sobrevivem em estado de dormência até serem reativados. “É como ter um material que só desperta quando precisa trabalhar”, explicam os pesquisadores.
O projeto faz parte da iniciativa europeia NextSkins, financiada pela União Europeia, que busca criar materiais vivos e autossustentáveis com aplicação em setores como construção civil, medicina e design de produtos. Para os cientistas, a meta é substituir gradualmente materiais não recicláveis por sistemas biológicos capazes de se regenerar e se adaptar ao ambiente.