A Toyota divulgou durante a Japan Mobility Show que trabalha no desenvolvimento de baterias de estado sólido capazes de operar por quatro décadas sem perda significativa de desempenho. A informação foi dada por Keiji Kaita, presidente do Centro de Engenharia Avançada de Carbono Neutro da montadora, em entrevista ao portal australiano Car Expert.
Segundo Kaita, o objetivo é alcançar 90% da capacidade original após 40 anos de uso, um avanço expressivo em relação às atuais baterias de íon-lítio, cuja durabilidade média projetada é de cerca de 10 anos. Ele explicou que o custo inicial da nova tecnologia tende a ser mais alto, mas que o investimento se justifica pela longevidade.
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“O preço começa mais elevado, mas deve se aproximar dos demais com o tempo. Nosso foco está em aproveitar o potencial de vida longa dessas baterias”, disse.
A promessa das baterias de estado sólido tem sido explorada por diversas montadoras e fabricantes de componentes. Esse tipo de célula utiliza um eletrólito sólido, em vez do líquido usado nas baterias convencionais, o que pode proporcionar recargas mais rápidas, menor peso, maior segurança e menor risco de superaquecimento.
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As baterias atuais de veículos elétricos geralmente contam com garantias de até oito anos. A meta apresentada pela Toyota, se concretizada, pode alterar significativamente o modelo de produção, comercialização e manutenção de automóveis elétricos, além de representar um avanço relevante na transição para tecnologias de menor impacto ambiental.
Novas apostas
A Toyota anunciou, no início de outubro, um acordo com a Sumitomo Metal Mining para a fabricação em larga escala de materiais destinados às baterias de estado sólido (ASSBs), apontadas como a próxima grande inovação na indústria de veículos elétricos. A meta é lançar uma linha de automóveis equipados com essa tecnologia a partir de 2028.
As novas baterias substituem o eletrólito líquido usado nas células de íon-lítio convencionais por um eletrólito sólido, o que reduz riscos de incêndio e aumenta a estabilidade térmica. Essa mudança também permite maior densidade energética e tempos de recarga menores, que podem ser inferiores a 30 minutos, segundo a fabricante.
O acordo será voltado à produção de veículos elétricos a bateria (BEVs). A cooperação entre as duas companhias prevê o início da fabricação em massa dos materiais de cátodo no começo de 2028. A produção envolverá eletrólitos cerâmicos à base de sulfetos de lítio, escolhidos por combinarem alta condutividade e resistência ao calor.