A UBTECH Robotics, empresa chinesa sediada em Shenzhen com foco na produção de robôs humanoides de última geração, anunciou o lançamento do novo modelo Walker S2, geração industrializada e dedicada a trabalhos fabris de seus humanoides da série Walker.
Os robôs são bípedes de tamanho humano, desenhados para operações contínuas em setores produtivos, com tecnologia de troca automática de baterias em cerca de três minutos.
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Em um vídeo recente divulgado pela empresa, um exército desses robôs se apresenta em uma série de movimentos ensaiados e simultâneos, demonstrando que são capazes de executar tarefas delicadas com precisão.
De acordo com a UBTECH, a produção em massa dos robôs deve alimentar a indústria, assim como as soluções em IA desenvolvidas pela empresa, cujas ações têm crescido no mercado. Em 2025, a capitalização de mercado da empresa estava estimada em cerca de US$ 8,06 bilhões, com um crescimento de 27,5% na primeira metade do ano.
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Seu novo modelo, o Walker S2, baseado no modelo lançado em 2024, o Walker S, funciona como carregador — para cargas de até 15 kg no espaço de trabalho humano, incluindo tarefas de manipulação em altura —, tem mobilidade dinâmica de até 170° e consegue se flexionar, agachar e levantar os joelhos e a cintura.
A autonomia elétrica também surpreende: de acordo com a empresa, ele consegue trocar a própria bateria em cerca de três minutos, o que permite operações “sem parar”, em jornadas de trabalho que duram 24 horas completas.
São equipados, além disso, com dispositivos de sensoriamento que auxiliam na sua percepção espacial e na manipulação de objetos. Segundo a empresa, os humanoides também têm capacidade de “autoplanejamento” e “autogerenciamento de anomalias”.
A empresa anunciou a entrega da primeira remessa das unidades do Walker S2, com a meta de 500 unidades por ano, em contrato com grandes empresas industriais chinesas.
Eles devem servir para atividades amplas, como trabalhos de manufatura e montagem fabril — inspeção e transporte de peças —, movimentação de cargas e inspeção de estoques. Mas a ideia da empresa não é torná-los “só” funcionários de chão de fábrica: também existe a possibilidade de funcionarem como atendentes na linha de frente de lojas e no oferecimento de produtos.
Segundo a UBTECH, já existem encomendas de grandes empresas do setor automotivo e de manufatura, em pedidos que já somam US$ 110 milhões.
“De acordo com o World Robotics Report 2023 (IFR), a China instalou, em 2022, cerca de 290 mil robôs industriais, mais da metade das unidades implantadas no mundo naquele ano”, nota Daniel Freitas no MIT Technology Review.
“Esse domínio numérico se reflete também na competitividade industrial. Com mais robôs, fábricas chinesas conseguem produzir em larga escala com custos reduzidos, elevando a pressão sobre competidores em países desenvolvidos e emergentes.”
Os robôs vêm de ainda outras formas, como a automatização de drones para entregas e pulverização de plantações, máquinas industriais, IAs cada vez mais avançadas, dispositivos de limpeza e robôs quadrúpedes para funções domésticas e de cuidado.
De acordo com Freitas, os braços robóticos reduzem em até 40% os custos da produção em relação ao resto do mundo, resultado da “integração de algoritmos de visão computacional, aprendizado profundo e controle adaptativo”.
As inovações seguem o panorama do 14º Plano Quinquenal do governo chinês, em vigor de 2021 a 2025, com o plano Robot+, que prevê mais de 1 trilhão de yuans (cerca de US$ 138 bilhões) em investimentos em automação nos diversos setores da economia. De acordo com um relatório divulgado pela Leaderobot, a China deve ser responsável pela produção de 50% dos robôs humanoides do mundo em 2025, com uma receita estimada de US$ 1,14 bilhão para o setor.
O Plano de Action para Inovação Científica e Cultivo Industrial de Inteligência Incorporada (2025–2027), lançado pelo governo chinês este ano, quer aplicar mais de 100 tecnologias estratégicas de inteligência artificial e automação em hardware e software até 2027, com até 70% de penetração de terminais inteligentes e agentes de IA avançada — e mais de 90% até 2030.