FORÇA AÉREA

País vizinho do Brasil investe US$ 3,5 milhões para modernizar seu setor de Defesa

O ministro da Defesa do país confirmou publicamente a aquisição e o caráter estratégico da operação, que tem como objetivo modernizar a Força Aérea do país

Caças militares.Créditos: Unsplash
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O governo do Peru iniciou o maior programa de modernização militar de sua história recente ao avançar na compra de 24 caças de última geração, com um investimento estimado em US$ 3,5 bilhões. A operação, confirmada por autoridades do Ministério da Defesa e incluída nos planejamentos orçamentários dos próximos anos, marca uma guinada na capacidade aerodefensiva peruana e pode reposicionar o país entre os mais bem equipados da América do Sul.

O ministro da Defesa, Walter Astudillo, confirmou publicamente a aquisição e o caráter estratégico da operação, que tem como objetivo modernizar a Força Aérea do Peru (FAP), substituindo a frota ultrapassada dos Mirage 2000 e MiG-29 a fim de recuperar a “capacidade de dissuasão” e a vigilância do espaço aéreo do país.

O processo de seleção chegou à chamada “lista curta”, com três modelos hoje entre os mais avançados do mundo. Os candidatos são os Saab JAS 39 Gripen E/F (Suécia), Dassault Rafale (França) e Lockheed Martin F-16 (EUA), avaliados segundo seu potencial de guerra eletrônica, custos operacionais, transferência tecnológica e pacotes de apoio.

A antiga frota dos Mirage e MiG havia sido adquirida ainda nas décadas de 1980 e 1990. Relatos oficiais da FAP e análises de defesa indicam que parte da frota já opera com disponibilidade reduzida e que há problemas de manutenção e reposição de peças, especialmente para plataformas russas após o início do conflito na Ucrânia.

Saab Gripen E (Suécia)

Conhecido pelo equilíbrio entre custo operacional e alta tecnologia, o Gripen E reúne radar AESA, suíte de guerra eletrônica avançada, sensor IRST e arquitetura digital aberta, o que facilita atualizações futuras. É um caça leve, de motor único, já integrado à doutrina de países sul-americanos, como o Brasil. Um atrativo para Lima é o histórico da Saab em oferecer pacotes de transferência tecnológica e cooperação industrial.

Dassault Rafale (França)

Plataforma bimotora de elevada capacidade multirole, o Rafale opera com radar AESA, grande carga útil, sistemas de autoproteção integrados (SPECTRA) e amplo alcance de combate. É considerado um dos caças mais completos do mercado, mas tradicionalmente associado aos maiores custos de aquisição e manutenção. Em contrapartida, a França costuma oferecer acordos industriais e parcerias de longo prazo aos países compradores.

Lockheed Martin F-16 Block 70/72 (EUA)

O F-16, em sua versão mais moderna, oferece radar AESA APG-83, aviônica compatível com padrões da OTAN e uma logística amplamente consolidada, uma vantagem para países que buscam disponibilidade e cadeia de suprimentos estável.

Os Estados Unidos também operam com o modelo de financiamento FMS (Foreign Military Sales), o que simplifica trâmites e pode facilitar prazos de entrega. O pacote completo, no entanto, varia conforme o armamento incluído e os serviços associados.

O investimento de US$ 3,5 bilhões do governo peruano deve ser executado em múltiplas etapas. Uma parte já foi prevista em orçamento, e parcelas adicionais devem ser distribuídas ao longo dos próximos anos fiscais.

O valor final pode variar conforme o pacote incluído: além das aeronaves, contratos podem incluir treinamento de pilotos e mecânicos, simuladores, munições ar-ar e ar-terra, sistemas de apoio, infraestrutura e um programa de manutenção de vários anos.

Caso conclua o contrato por 24 aeronaves de 4,5ª geração, o Peru entra na disputa com Chile, Brasil e Colômbia pelo país com as capacidades aéreas na América do Sul.

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