INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Somente cinco montadoras devem sobreviver nos próximos anos e nenhuma é europeia

Previsão de especialistas preocupa setor automobilístico, principalmente alemão, e aponta que China deve ser a 'salvadora' da Europa

Imagem ilustrativa.Créditos: Renato Rocca
Escrito en TECNOLOGIA el

A indústria automobilística europeia atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A combinação entre crise econômica, mudanças tecnológicas e disputas geopolíticas levanta dúvidas sobre a capacidade das principais montadoras do continente, principalmente as alemãs, de sobreviver num futuro próximo. 

Recentemente, uma declaração de um dos economistas mais influentes da Alemanha acendeu essa preocupação. Em entrevista ao programa Caren Miosga, da emissora pública ARD, Moritz Schularick, presidente do Instituto de Economia Mundial de Kiel afirmou que BMW, Volkswagen e Mercedes-Benz poderão “não existir mais em sua forma atual até o final da década". Os principais fatores para essa preocupação são a guerra comercial estimulada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos com o governo Donald Trump, as regulamentações ambientais da União Europeia e a rápida transição global para veículos elétricos, liderada pela China.

Para Schularick, o estado atual do setor automobilístico alemão revela uma fragilidade diante da eletrificação, da corrida pela direção autônoma e da concorrência internacional. “A julgar pelas três principais montadoras alemãs […] acredito que elas provavelmente não existirão mais em sua forma atual até o final da década”, declarou.

A análise do economista alemão é reforçada por Carlos Tavares, ex-presidente da Peugeot e da Stellantis, que acredita que apenas cinco ou seis montadoras sobreviverão nos próximos anos, e nenhuma delas europeia. Ele menciona a Toyota do Japão, a Hyundai da Coreia do Sul, a BYD da China e provavelmente outra empresa chinesa como a Geely. A avaliação foi feita em entrevista ao Financial Times

Queda na Europa e crescimento na China

A previsão dos especialistas é corroborada por dados que apontam que o setor enfrenta queda na demanda. Segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de veículos na União Europeia ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia, enquanto montadoras chinesas expandem sua presença, oferecendo carros elétricos até 30% mais baratos. Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que a China responde por mais de 60% das vendas globais de elétricos.

Para Tavares, diante desse cenário, a China deve ser a "salvadora" das montadoras europeias  ao adquirir fábricas e preservar empregos em momentos críticos. "No dia em que uma montadora ocidental se encontrar em sérios apuros, com fábricas à beira do fechamento e manifestações nas ruas, uma fabricante chinesa aparecerá e dirá: 'Eu aceito os empregos', e será aclamada como salvadora", declarou ele. 

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