CHINA

O plano bilionário de uma potência dos BRICS para revolucionar a produção de energia

Cientistas de mais de dez países assinaram, com a China, um compromisso de cooperação internacional para atingir o “plasma em ignição”, que pode revolucionar a produção mundial de energia; entenda

Interior de um Tokamak.Créditos: Wikipedia
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Em novembro de 2025, a Academia Chinesa de Ciências (CAS) oficializou o lançamento de seu Programa Internacional de Plasma em Ignição, apelidado de “burning plasma”, e divulgou seu novo plano de pesquisa: Burning Plasma Experimental Superconducting Tokamak (BEST), que foca em alcançar fusão nuclear e geração de energia a partir do plasma.

O plasma é um gás ionizado com elétrons livres (levado a uma temperatura tão alta que seus elétrons são “arrancados” dos átomos), considerado o “quarto estado da matéria”. A energia plasmática é fornecida ao gás pelo calor intenso ou por uma descarga elétrica, o que carrega seus elétrons e o torna um condutor de eletricidade potente, reativo a campos magnéticos.

Até 99% por cento de todo o universo conhecido é composto por plasma, o estado mais abundante da matéria, encontrado nas estrelas.

Na indústria, a energia do plasma é utilizada em processos metalúrgicos, em têxteis e em polímeros, além de tecnologias verdes (já que não gera poluentes ou resíduos tóxicos).

Cientistas de mais de dez países — incluindo França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Áustria e Bélgica — assinaram, com a China, a Declaração de Fusão de Hefei, que estabelece um compromisso de cooperação internacional em ciência aberta e compartilhamento de plataformas de pesquisa para atingir o “plasma em ignição”, estágio em que o calor da fusão nuclear basta para sustentar o plasma e produzir energia continuamente.

De acordo com a Academia Chinesa de Ciências, o programa BEST deve ser concluído até o final de 2027, e a meta é alcançar a geração de 20 MW a 200 MW de potência de energia plasmática.

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Em outubro deste ano, o BEST, um tokamak (máquina que usa campos magnéticos para confinar o plasma a altas temperaturas), atingiu um marco essencial: a instalação de uma câmara a vácuo para seus ímãs supercondutores, que fazem o confinamento do plasma. O componente instalado tinha cerca de 400 toneladas e será a base para mais de seis mil toneladas de equipamentos adicionais para possibilitar a energia por fusão plasmática.

A fusão nuclear é complexa e de alta tecnologia porque imita o processo que ocorre na superfície solar, em que os núcleos de deutério e trítio, isótopos de hidrogênio usados como combustível para a fusão nuclear, combinam-se para formar hélio e liberar energia. A reação gera grandes quantidades de eletricidade, com baixas emissões de carbono e sem resíduos.

Já o “plasma em ignição”, processo que o BEST está sendo projetado para atingir em 2027, é o estágio da fusão em que o calor gerado pela reação sustenta o próprio plasma, sem necessidade de aquecimento externo. Se bem-sucedido, o projeto pode transformar o cenário energético mundial e ser uma alternativa de energia potente, limpa e abundante, sem recorrer a combustíveis fósseis ou à fissão nuclear.

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