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12 de dezembro de 2018, 16h18

A primeira derrota do governo Bolsonaro

O arquivamento do projeto “Escola Sem Partido” deve ser entendida como a primeira derrota do governo Bolsonaro. Ainda que este tenha início apenas no dia 1 de janeiro, não devemos esquecer que a tal “doutrinação ideológica nas escolas” e o “kit gay” foram as bandeiras que o elegeram

Eduardo Bolsonaro defende o projeto Escola sem Partido no Congresso (Foto: Lula Marques)

O arquivamento do projeto “Escola Sem Partido”, que tinha por objetivo por instituir uma lei da mordaça na educação, deve ser entendida como a primeira derrota do governo Bolsonaro. Ainda que este tenha início apenas no dia 1 de janeiro, não devemos esquecer que a tal “doutrinação ideológica nas escolas” e o “kit gay” foram as bandeiras que o elegeram e a sua trupe tinha certeza de que o relatório do projeto seria lido e aprovado para entrar na pauta do ano que vem e, consequentemente, ser aprovado no plenário da Câmara dos Deputados e do Senado.

Esta primeira derrota imposta ao governo de extrema direita que terá inicio daqui três semanas deve ser comemorada, mas também deve servir como ponto de partida e inspiração para que outras vitórias da esquerda, dento e fora do parlamento, sejam garantidas. O primeiro exemplo a levarmos adiante é a união de vários movimentos sociais: estudantil, LGBT, feminista, negr@s e educadores. A união e intransigência destes setores foram cruciais para impedir todas as tentativas de votação da “Escola Sem Partido” até levarem ao arquivamento.

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Nos próximos quatro anos é este tipo de articulação que vai impedir, senão em sua integralidade, mas, pelo menos em partes, o avanço de todas as políticas fascistas-regressivas que o governo Bolsonaro e sua trupe pretendem impor no Brasil. Ou seja, será necessário uma radicalização à esquerda para impor novas derrotas à extrema direita brasileira: nas ruas, no parlamento e nas redes.  Mas, para que esta articulação radical à esquerda siga adiante é necessário e urgente que alguns setores do PT e do PSOL abandonem as malfadadas teses dos “movimentos identitários”, pois, em nada ajuda e só fortalece o outro lado.

Será a partir desta articulação que garantiu o enterro do “Escola Sem Partido” – ainda que este PL possa ser desarquivado, a tramitação começa do zero, portanto, dois anos até chegar no plenário – que vamos conseguir evitar retrocesso na política de aborto no Brasil – lembrando que ela ainda é limitada e insuficiente para a realidade do nosso país, que o ideal seria a descriminalização do aborto – porém, o governo Bolsonaro, se puder, criminaliza em todos os termos; a revogação de normais jurídicas que garantem parcos direitos à comunidade LGBT e claro, será na radicalização à esquerda que iremos evitar novos retrocessos nos direitos trabalhistas.

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Por fim, é preciso que não tenhamos medo de dizer socialismo aos quatro cantos do Brasil, se abrirmos mão dessa palavra e de todo o seu significado, é aí que estaremos definitivamente derrotados. Para disputarmos imaginários, mentalidades e um outra sociedade possível, só a partir da afirmativa do socialismo enquanto antagônico radical do capitalismo e para isso será necessário muita paciência e diálogo com as pessoas. Mais do que nunca vivemos em torno da máxima de Rosa Luxemburgo: “Socialismo ou barbárie!”.


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