Adriana Dias

direitos humanos e acessibilidade

07 de março de 2018, 21h49

Dia 8 de março, dia de rasgar a caixa

Há uma grande caixa no mundo que só cabem homens. A gente precisa entende que uma mulher sozinha não vai vencer a caixa. Mas que, todas nós, juntas, vamos rasgar essa caixa opressora, chata, quadrada, velha, sem sentido, anacrônica. Enquanto uma pega uma aba, a outra vai rasgando o lado

Foto: Agência Brasil

Não sei se vocês sabem, mas há uma grande caixa no mundo, e na realidade é ela que determina as verdadeiras possibilidades para cada pessoa. Ela decide privilégios, impões deveres e delibera a respeito dos direitos. Essa caixa, construída ao longo da história, foi definitivamente formatada pelo liberalismo que decidiu um lugar de fala universal. Caberia a fala, o direito e o sucesso, que vem do “mérito”, todos que tivessem lugar nessa caixa.

Essa caixa é tão poderosa que recebeu um nome: NORMALIDADE. Dentro dela não cabem grandes sonhos revolucionários, nem solidariedade, o primeiro passo na direção deles. Dentro dela não cabem grandes dilemas, porque todo mundo precisa parecer bem normal, e quem não se sente assim, que esconda isso dentro de si. Nessa caixa cabem homens, de classe média alta, brancos, hétero, sem deficiência ou grandes patologias (um pouco de stress por grandes responsabilidades cabe, por exemplo), de direita e com formação universitária que privilegie a língua inglesa e o MBA. Apenas eles.

Quando, por algum motivo desses que desarma uma manhã de CEO, uma mulher, uma mulher negra, uma mulher lésbica, uma mulher com deficiência, uma mulher ribeirinha, uma mulher de periferia, uma mulher trans questiona a existência da caixa, a violência sexual que ela causa, o abuso, os medos, os traumas, e coloca um #metoo, o discurso da NORMALIDADE chama isso de mimimi, pergunta se ela está com dificuldades afetivas ou se ela é mãe. Porque a caixa só encaixa a mulher assim…

A gente precisa entender, queridas, que uma mulher sozinha não vai vencer a caixa. Mas, que todas nós, juntas, vamos rasgar essa caixa opressora, chata, quadrada, velha, sem sentido, anacrônica, rapidinho. Enquanto uma pega uma aba, a outra vai rasgando o lado. Nós precisamos do feminismo que inclua a todas nós, porque o feminismo é a única forma de rasgar essa caixa, gente! E feminismo se faz com todas essas mulheres que eu listei e com todas as outras também. Feminismo é para a mulher evangélica e para a dos orixás, é para a da capital e do interior, é para a do Carnaval e para a da Procissão. Feminismo é para a gente ser quem a gente quiser, sem uma caixa arrogante tentando falar por nós.

E aí vamos juntas? Vamos parar o mundo contra a violência, o medo e incapacitação que a caixa representa? A gente vai embaixo ou em cima da caixa primeiro?

Feliz, 8 de março, sem caixa, e com a graça de ser o que se quiser.


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