Adriana Dias

direitos humanos e acessibilidade

06 de abril de 2018, 20h48

Lula é nossa chance histórica

Em novo artigo, Adriana Dias analisa o papel do ex-presidente na sociedade: “Nesse momento ele é maior que o Brasil. Prender Lula é prender a nossa chance de transformação histórica”

Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

O Brasil é um país com estrutura colonial. Fomos formados por uma elite europeia (que chegou como colonizadora, ou como imigrante e trabalhadora, assalariada, sonhando em se tornar rica, ou empresária, sonhando em explorar nossas riquezas) que se manteve rica e branca, conservadora e detentora de privilégios, sustentando-os com corrupção, força de polícia, ditadura, mídia, propaganda, leis e com o que for necessário.

A pobreza brasileira é formada dos proletários, em imensa maioria de origem negra ou parda, fruto de uma escravidão imensamente exploratória, que a se ver impossível diante do quadro internacional abolicionista, transformou o negro em carne explorada pelo empresário, ao menor custo possível e muitas vezes em trabalho análogo ao escravo. As mulheres negras são a maioria das empregadas domésticas do país, e poucos dessa imensa maioria da população tiveram acesso à migração social ou a ensino superior.

Os nativos brasileiros que habitavam a terra, os indígenas, são os condenados pela elite a serem eliminados. No Brasil há os que mandam, os que são explorados e os que são eliminados. Nossa história foi construída dessa forma. Uma fórmula genocida.

Durante muito tempo enquanto candidato a Presidente, Lula enfrentou toda essa elite que não o queria no poder. Ele sempre representou a mudança dessa equação genocida de exploração que construiu o país.  Para evitar que ele fosse eleito, desde 1982, o acusam de ter uma casa, um apartamento no Guarujá. REPITO, DESDE 1982. Lula, que era então um líder sindical do ABC e fundara o PT, do qual era presidente – disputava seu primeiro cargo público, o de governador de São Paulo. Na reta final da eleição, em novembro, um panfleto apócrifo intitulado “Ao povo de São Bernardo – A honestidade de Lula” trazia a foto de um imóvel de alto padrão e dizia que era a “casa do Lula, onde ele passa suas férias no Guarujá”.

Depois em 1989, um diretor da TV Globo usou três pastas vazias, o diretor assumiu que eram vazias. Veja o vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=VrpurEkmJkU, apenas para levar a população a crer que havia provas absurdas contra ele. Ele perdeu a eleição para um Collor que foi destituído por corrupção, um membro da costumeira elite.

Depois, ele foi eleito presidente, duas vezes, e saiu como o presidente mais popular do Brasil e o com maior aprovação. A elite nunca aceitou isso. Começou de novo a história do apartamento, que o MP do Paraná usou e o juiz Moro usou na sentença, usando o jornal O Globo. Sempre a Globo. Que é grande devedora de impostos no Brasil, e que acha que pode decidir as eleições.

Lula foi condenado por um apartamento que foi reformado pela OAS, que está no nome da OAS, e que nunca foi dele, na ordem de prisão ainda consta o nome de sua esposa, morta durante o processo, como Ré.

Tenho certeza de que Lula é inocente. A história há de concordar comigo. O Brasil é um país extremamente corrupto, a elite é corrupta e quer prender quem pode mudar isso.  Quem tentou mudar isso. Quem manda na prisão de Lula são as elites que permaneceram ricas e brancas, conservadoras e genocidas.

Lula é um herói. Nesse momento ele é maior que o Brasil. Prender Lula é prender a nossa chance de transformação histórica. De mudar a equação genocida da nossa história, de encontrar a resposta democrática e libertária. VIVA LULA LIVRE.


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