Alexandre Padilha

14 de Maio de 2020, 19h42

Coronavírus: flexibilização do isolamento só com responsabilidade

Leia na coluna de Alexandre Padilha: "Só o esforço do distanciamento social pode reduzir a progressão dos casos e mortes de coronavírus"

Foto: Leandro Santana/Ascom PCPA

O presidente Bolsonaro assinou nesta semana o decreto que flexibiliza o isolamento social e reabertura de serviços como academias de ginástica, barbearias e salões de beleza, atividades classificadas pelo governo como essenciais. O atual Ministro da Saúde sequer foi consultado e avisado das medidas. Ao anunciar uma medida como essa, o Presidente da República age de maneira genocida com a população brasileira. Ao sancionar este decreto, Bolsonaro coloca esses profissionais e a população em risco. 

Vale lembrar que o governo vetou a ampliação do direito da renda básica emergencial a outras categorias de profissões, incluindo dos profissionais que atuam em salões de beleza e academias, pedido que foi solicitado pelos deputados de oposição ao governo na Câmara dos Deputados.

As autoridades sanitárias de todo o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), cientistas especialistas e meus colegas médicos infectologistas afirmam e reafirmam diariamente: só o esforço do distanciamento social pode reduzir a progressão dos casos e mortes de coronavírus.

O Brasil já é o epicentro do coronavírus no mundo e o Congresso Nacional tem se adiantado no apoio de medidas para o enfrentamento. Foi aprovado o orçamento de guerra, que significa a autorização de recursos financeiros sem limites de investimentos para o combate à doença, autorizando o Ministério da Saúde a levar mais médicos para as regiões que mais precisam, comprar mais ventiladores mecânicos, mais testes diagnósticos para a doença, aplicar um protocolo de atendimento aos pacientes suspeitos antes de chegar ao atendimento hospitalar. Vemos prefeitos e governadores se esforçando na aplicação de ações de combate a progressão da doença, atitude oposta do que é incentivado e anunciado pelo governo Bolsonaro.

Temos acompanhando o registro do relaxamento no isolamento social no estado de São Paulo, que aumentou o número de infecções. Aqui na cidade de São Paulo, por exemplo, a taxa de isolamento no início de abril era de 50/55%.  A partir do dia 23 do mesmo mês, essa taxa caiu para 48% e a cidade passou de 800 casos confirmados e suspeitos para 3 mil por dia.

Saúde e economia precisam caminhar juntas, e experiências internacionais mostram que países que salvaram vidas, rendas e economia tiveram menos mortes e capacidade de se recuperar da pandemia mais rapidamente. 

Apresentei a vocês aqui nesta coluna na semana passada meu projeto de lei chamado Protege Brasil, que é inspirado em experiências internacionais e estabelece critérios rigorosos, claros e seguros para a criação de diretrizes nacionais para a retomada gradual das atividades econômicas. Ele estabelece classificação sanitária no que diz respeito à incidência da Covid-19. Para se enquadrar nos níveis de classificação para a retomada, todas as regiões devem informar a observação de redução de casos confirmados ou suspeitos dos últimos 14 dias. A flexibilização do isolamento só pode ser autorizada com responsabilidade.

*Esse artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.


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