Notas Internacionais

por Ana Prestes

26 de junho de 2019, 10h53

“A Casa Branca é retardada mental e não sabe o que fazer”, diz presidente do Irã sobre crise com EUA

Ana Prestes revela que Hassan Rohani reagiu às novas sanções norte-americanas contra o país, considerando como “ultrajantes e idiotas”

O presidente iraniano Hassan Rohani - Foto: Reprodução/YouTube

– O ministro da Justiça, Sergio Moro, esteve bem faceiro nos últimos dias nos EUA. Dá pra ver, pelos seus tuítes, que ali se sente literalmente em casa. Enquanto no Brasil a imprensa, o parlamento e as redes debatem suas mensagens inconfessáveis reveladas pelo The Intercept Brasil nas últimas semanas, ele posa ao lado de autoridades da DEA (Drug Enforcement Administration) e do EPIC (El Paso Intelligence Center). E ainda anuncia para Foz do Iguaçu um projeto piloto para guarnecer as fronteiras. Por óbvio, não vamos encontrar nas redes e na imprensa comercial a verdadeira agenda de Moro nos EUA em pleno #VazaJato gate.

– Também está nos EUA outra figura controversa, para não dizer golpista, latino-americana. Trata-se do ex-chefe da inteligência da Venezuela, Christopher Figuera. Inspirados no já consagrado slogan da Vaza Jato: “Não é muito tempo sem operação?”, poderíamos dizer o mesmo sobre a ofensiva dos EUA sobre a Venezuela. Passados os fracassos de 23 de janeiro, 23 de fevereiro e 30 de abril, estava tudo muito sereno, só se falava do conflito entre EUA e Irã, até que nesta terça (25) a imprensa se alvoroçou com as declarações de Figuera de que “Maduro pode cair”. Após dois meses “escondido” na Colômbia, Figuera foi utilizado por Elliott Abrams, delegado especial de Trump para a desestabilização da Venezuela, para mandar um recado a outras autoridades venezuelanas: “Não o trouxemos para os EUA, mas estamos contentes por ele estar aqui” e, ao anunciar que as sanções contra ele foram retiradas pelo governo americano, reforçou: “É um sinal para outros funcionários sobre o futuro, em que poderão fazer o mesmo”. Uma espécie de: podem conspirar que nós damos guarita.

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– Segundo matéria da FSP, diplomatas brasileiros receberam nas últimas semanas instruções específicas sobre como tratar em foros multilaterais de questões que envolvam debates sobre gênero. A orientação é de que os representantes brasileiros expressem “o entendimento do governo brasileiro” de que “a palavra gênero significa o sexo biológico: feminino ou masculino”. Seria uma “retomada” da definição tradicional de gênero, segundo o Itamaraty.

– A escalada da agressão norte-americana sobre o Irã teve novo episódio nesta terça (25). Após o anúncio de mais sanções americanas, o presidente iraniano Hassan Rohani chamou de “ultrajantes e idiotas” as novas medidas. Nas suas palavras, “os americanos parecem desesperados e confusos, o que os fez adotar medidas estranhas e falar coisas sem sentido. A Casa Branca é retardada mental e não sabe o que fazer”. Ao mesmo tempo em que o presidente falava na TV, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Shamkhani, informava que o Irã vai tomar novas medidas para reduzir ainda mais os compromissos assumidos no acordo nuclear internacional rompido unilateralmente pelos EUA a partir de 7 de julho. Após as declarações, Trump foi ao Twitter: “A muito ignorante e insultante declaração do Irã publicada hoje só mostra que eles não entendem a realidade. Qualquer ataque do Irã contra qualquer coisa americana será respondido com força grande e arrasadora. Em algumas áreas, arrasador vai significar erradicação”. As ameaças de Trump ocorrem poucos dias após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, ter afirmado que o presidente não pode atacar o Irã sem autorização. Diplomatas experientes diriam que os ataques verbais de parte a parte podem estar ofuscando negociações que vêm ocorrendo nos bastidores. A ver.

– Um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, assinado por Philip Alston, foi liberado nos últimos dias e trata dos efeitos do aquecimento global sobre parte da população mundial que já é mais vulnerável. Segundo Alston, o mundo caminha para um “apartheid climático”, onde ricos compram saídas para os piores efeitos do aquecimento global e os pobres têm que suportar o peso das consequências ambientais. O relatório cita o Brasil, ao dizer que Bolsonaro planeja permitir mineração na floresta amazônica e restringir a demarcação de terras indígenas, além de enfraquecer mecanismos de proteção ambiental. Cita ainda que o governo brasileiro desistiu de sediar a COP (conferência mundial sobre o clima) em 2019. Há também um alerta para os governos em geral de que confiar “exclusivamente” no setor privado para a proteção contra o clima extremo e a elevação do nível do mar pode ser a porta para “violações massivas de direitos humanos, com risco de que os ricos terão necessidades atendidas e os pobres serão deixados para trás”. As consequências podem ser a insegurança alimentar de centenas de milhões, além de imigração forçada, doenças e morte.

– O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta terça (25) uma resolução em que estabelece a criação de uma “Missão Política” ao Haiti a ser instalada em 16 de outubro, após o fim da missão de estabilização remanescente da Missão de Paz que atuou por 13 anos (finda em 2017), previsto para 15 de outubro. A votação contou com a abstenção da delegação da República Dominicana e da China. A delegação chinesa justificou sua abstenção pelo fato de os EUA terem vetado emendas ao texto da resolução que acrescentavam a ponderação de que as mudanças climáticas agravam a situação do Haiti. A delegação da Republica Dominicana disse que se absteve, pois a resolução cria uma missão com funções e recursos muito limitados para realmente trazer paz e estabilidade ao Haiti. A resolução chega em um momento de profunda crise política e econômica do país.

– No Sudão segue o apagão da internet que já dura três meses, enquanto o país ferve em protestos violentos e enfrentamentos entre a oposição civil e governo militar de turno. O blecaute imposto pelos militares começou em 3 de junho e resultou em perda quase total do acesso à internet em um país de 40 milhões de pessoas.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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