Notas Internacionais

por Ana Prestes

04 de setembro de 2019, 11h21

Ajuda do G7 para combater incêndios na Amazônia brasileira chegará sem a parte da França

Após ofensas de Jair Bolsonaro, presidente Emmanuel Macron decidiu que vai utilizar seus recursos para auxiliar outros países da região

Foto: Reprodução/YouTube

– Quem gosta de política definitivamente precisa acompanhar a dramática cena britânica atualmente em curso. Fico pensando quantos livros ainda vão surgir no futuro para tratar desse período do Brexit, com final ainda completamente inconcluso. O dia de terça (3) certamente renderá um capítulo. Para ilustrar apenas uma passagem, enquanto o premiê Boris Johnson discursava, o deputado conservador Phillip Lee atravessava o tapete verde da Casa dos Comuns para se sentar ao lado dos Liberais Democratas, sinalizando uma mudança de lado e fazendo Johnson perder sua maioria por um voto. Outros conservadores não chegaram a atravessar o salão, mas votaram contra Johnson, mesmo estando dentro do partido. E assim, por 328 votos a 301, o Parlamento britânico tirou do governo o direito de pautar a sessão e nesta quarta (4) deve alcançar novas vitórias. O plano de fundo é impedir que Johnson cometa o “hard” Brexit, uma saída da União Europeia sem acordo com Genebra. Há quem diga que novas eleições podem ocorrer, tendo o opositor trabalhista Jeremy Corbyn como o principal inimigo de Jonhson e dos conservadores a ele alinhados. Podem surpreender, tanto os liberais democratas sobre o campo dos trabalhistas como o partido Brexit sobre o campo dos conservadores.

– Pesquisa da “NatCen Social Research”, que acompanha a opinião pública britânica sobre o Brexit desde 2016, aponta que hoje 46% dos britânicos rejeitam o Brexit, 41% apoiam e 14% não opinam.

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– Segundo um anúncio do chanceler chileno, Teodoro Ribera, a ajuda financeira do G7 para o combate aos incêndios da Amazônia brasileira virá sem a parte correspondente à França, que destinará seus recursos para outros países da região. A chancelaria informou ainda que já estão à disposição do governo brasileiro dois aviões AT108, especializados no combate a incêndios florestais e mais dois estão a caminho.

– Na Argentina, a alta do dólar deu uma trégua e caiu quase 6%, após o anúncio de controle cambial feito pelo governo no final de semana. O efeito foi de filas em bancos e casas de câmbio de argentinos tirando dúvidas sobre seus depósitos, e outros tentando comprar dólar para se proteger das intempéries econômicas de futuro ainda incerto.

– Macron está mesmo empenhado em não deixar o acordo nuclear com o Irã colapsar. O governo francês propôs uma linha de crédito de 15 bilhões ao país até o final de 2019, segundo a imprensa, mas sem nenhum comunicado oficial por enquanto. O crédito estaria condicionado ao cumprimento integral do acordo de 2015. O anúncio do empréstimo veio antes da data prevista pelo governo iraniano, próxima sexta (6), em que anunciaria deixar de lado mais compromissos do acordo, como o aumento do patamar de enriquecimento de urânio.

– Em discurso nesta terça (3) para formandos da Escola Central do Partido Comunista Chinês, o presidente Xi Jinping disse que deverá haver uma luta resoluta em relação aos atuais desafios da China. Segundo Xi, “no presente e no futuro, o desenvolvimento da China entrou em um período onde os riscos e desafios continuam a aumentar ou estão se tornando concentrados. Os maiores desafios a serem enfrentados não irão diminuir”. Entre os desafios, ele citou as questões econômicas, políticas, sociais, ambientais, de defesa, diplomáticas, Hong Kong e Taiwan. Em poucos dias, 1º de outubro, a China comemorará os 70 anos da revolução chinesa e a fundação da República Popular da China por Mao Tsé-tung. Haverá uma parada militar comemorativa em Pequim. Há 70 anos era impensável que a China chegaria ao poderio econômico que possui hoje.

– O governo venezuelano declarou na terça (3) um “alerta laranja” na fronteira com a Colômbia. A reação veio após o presidente colombiano tentar vincular a volta de ex-guerrilheiros das ex-FARC à luta armada no país com o governo venezuelano. Segundo Maduro, Duque “quer acusar a Venezuela de causar uma guerra que tem 70 anos na Colômbia”.

– O Pentágono anunciou na terça (3) a destinação de 3,6 bilhões de dólares para a construção de um trecho de 280 km do muro na fronteira dos EUA com o México. Trata-se de uma fixação do presidente Trump desde que foi eleito. Para tanto, foram adiados 127 outros projetos anteriormente previstos no orçamento do Pentágono para 2019.

– Chega nesta quarta (4) na Bolívia uma equipe francesa especializada em combate a incêndios florestais. A primeira equipe é pequena, cerca de dez pessoas, mas virão para preparar a chegada de mais 40 profissionais na próxima semana para ajudar no combate às chamas na região leste da Bolívia.

– Segundo um relatório da ONU, divulgado ontem, EUA, França e Reino Unido estão envolvidos nos crimes de guerra perpetrados no Iêmen nos últimos anos.

– Na França foi aberto um debate de três meses sobre o feminicídio e a violência conjugal. Somente neste ano, até agosto, foram 101 feminicídios contra 121 registrados em todo o ano passado. A França é o segundo país mais afetado na Europa, após a Alemanha.

– Famosa por estimular o armamento, a rede norte-americana Walmart anunciou nesta terça (3) que vai interromper a venda de munição para armas curtas, como pistolas e revólveres. Informou, ainda, que fará campanha para que os clientes evitem portar armas de fogo de forma visível dentro das lojas, mesmo nos estados em que é permitido.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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