Notas Internacionais

por Ana Prestes

08 de agosto de 2019, 11h56

Alberto Fernández e Cristina Kirchner divulgam temas do programa de governo na Argentina

Ana Prestes: “Segundo o documento, os cinco pilares econômicos serão: equilíbrio fiscal, equilíbrio da balança comercial, acumulação de reservas, dólar competitivo e desendividamento do país”

Foto: Reprodução

– Alberto Fernández e Cristina Kirchner, candidatos a presidente e vice da Argentina pela Frente de Todos, divulgaram nesta quarta (7) os principais temas de seu programa de governo. Segundo o documento, os cinco pilares econômicos serão: equilíbrio fiscal, equilíbrio da balança comercial, acumulação de reservas, dólar competitivo e desendividamento do país. Há ainda doze pontos temáticos abordados na proposta: emprego, aposentados, impostos, crédito, saúde, gênero, moradia, dívida, ciência e tecnologia, dólar, fim do desinvestimento e tarifas públicas. O documento foi lançado no evento em Rosário, que marcou o final da primeira etapa da campanha rumo às primárias de domingo (11). “Seremos nós os que recuperaremos as fábricas, os que acionarão as máquinas e darão trabalho ao povo” disse Fernández, em seu discurso.

– Trump foi a campo e houve consideráveis protestos. O presidente americano visitou na quarta (7) as cidades de El Paso (Texas) e Dayton (Ohio), onde, no último final de semana, dois ataques deixaram 31 mortos. No Texas, a maioria dos 22 mortos era de latinos, alvo constante e sistemático de Trump e sua fixação por um muro com o México e, agora, o estabelecimento de verdadeiras prisões na Guatemala, Honduras e El Salvador. O atirador de El Paso publicou manifesto dizendo que o ataque era “uma resposta à invasão latina do Texas”. Os conservadores estão travando um intenso debate interno sobre medidas legislativas a serem tomadas para tentar aplacar um pouco o crescente debate sobre a posse e porte de armas no país.

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– Na Folha de São Paulo de quarta (7), Elio Gaspari escreveu sobre o Itaipu Gate. Ele cita um repórter, José Casado, que haveria dito: “Sob Bolsonaro, (Itaipu) virou fonte de convulsão na outra margem do rio Paraná”. Em poucos meses a condução das relações exteriores brasileiras embalada por conversas impróprias, voluntarismos e tráfico de influência meteu o Brasil em um escândalo com a maior hidrelétrica do continente, a binacional Itaipu. Gaspari assim resume o imbróglio: “Retirando-se um item do acordo, como foi feito, uma empresa brasileira, a Leros, compraria energia paraguaia para vendê-la no mercado brasileiro. Graças a algumas tecnicalidades, seria possível que ela pagasse US$ 6 por um megawatt, vendendo-o, numa boa, por US$ 30”.

– Em Porto Rico, a temperatura política segue alta. O Tribunal Superior do país anunciou na quarta (7) que a lei emendada para permitir a juramentação de Pedro Pierluisi como governador da ilha é inconstitucional. A decisão invalidou sua posse. Pierluisi foi a solução que Ricardo Rosselló, anterior governador, pego em flagrante em trocas de mensagens nada republicanas e obrigado a renunciar, encontrou para não perder poder. Pierluisi foi nomeado na última sexta (2), dia em que Rosselló deixou oficialmente a governação. Sua nomeação foi controversa, devido às diferentes interpretações da lei. Pela lei, vacante a presidência, deve assumir o secretário de Estado. Como este também foi destituído junto ao governador, fizeram às pressas a nomeação de Pierluisi. No entanto, o período era de recesso legislativo e somente a Câmara dos Deputados aprovou. Deixado de lado, o Senado recorreu contra a decisão. Deve assumir agora a secretária de Justiça, Wanda Vázquez, que por sua vez também é alvo de multitudinárias manifestações de rua que derrubaram Rosselló. Wanda já havia se pronunciado via Twitter no dia 28 manifestando que não assumiria o cargo. Agora, parece ter voltado atrás.

– No Uruguai, o chanceler Rodolfo Nin Novoa, acusou nesta quarta (7) a administração Trump de tentar influenciar a favor da oposição na campanha eleitoral em curso. Segundo Novoa, “se metem, se imiscuem (na campanha), mas isso não é novidade por parte das embaixadas norte-americanas na América Latina (…) têm a missão divina de qualificar todos os países do mundo”. As declarações vêm no contexto de animosidade com os EUA, que tem atacado o Uruguai nas últimas semanas dizendo se tratar de um país violento e inseguro. O tema da segurança pública é um dos ganchos da oposição à Frente Ampla, que dirige o país há três gestões e busca uma reeleição, para tentar reverter o cenário eleitoral.

– Uma embarcação com 25 mil toneladas de soja preparada para produção de alimentos com destinação à Venezuela está retida no Canal do Panamá. O dono da embarcação foi advertido por sua seguradora que estava impedido de levar a carga à Venezuela. Delcy Rodriguez, vice-presidente venezuelana, pontuou que a ação constitui violação dos direitos humanos de toda a população venezuelana por impedir seu direito à alimentação. O impedimento é fruto do novo embargo imposto ao país pelos EUA. Por sua vez, a Comissão Europeia, via seu porta-voz, Ruiz de Gordejuela, disse na quarta (7) que “nossa posição é bem conhecida e consiste em que nos opomos à aplicação extraterritorial de medidas unilaterais”. A porta-voz do ministério de relações exteriores da China, Hua Chunying, também manifestou a contrariedade do governo chinês com a medida. Dentro deste mesmo contexto, o governo Venezuelano decidiu não participar da nova rodada da mesa de negociações com a oposição em Barbados, prevista para ocorrer nesta quinta (8) e sexta (9). Coube ao secretário de Comunicação do governo, Jorge Rodríguez, comunicar que Maduro decidiu não enviar delegação diante da grave e brutal agressão por parte de Trump contra a Venezuela.

– A tensão entre Índia e Paquistão sobre a Caxemira voltou à tona. Dois dias após a Índia revogar a autonomia constitucional da parte da Caxemira que está sob seu controle, o governo paquistanês chamou seu embaixador em Delhi, expulsou o embaixador indiano do país, suspendeu o comércio bilateral e informou que apresentará moção ao Conselho de Segurança da ONU. Na última segunda (5), o primeiro-ministro indiano Narendra Modi havia retirado, via decreto, a autonomia constitucional do estado de Jammu e da Caxemira (norte), tomando controle desta região, que é majoritariamente muçulmana. A parte indiana da Caxemira é constante fonte de tensão com grupos armados e sob influência de Islamabad e armamento da Arábia Saudita. Segundo o jornalista Pepe Escobar, “a Caxemira é um prêmio geoestratégico crucial”. Se a Índia a possuir, terá uma ponte direta para a Ásia Central e uma fronteira com o Afeganistão, evitando uma fronteira do Paquistão com a China (atrapalhando o cinturão da nova rota da seda). Se o Paquistão a possuir, garante sua segurança com relação à água devido ao rio Indus e mantém sua fronteira com a China. A Caxemira é uma região montanhosa e que se divide entre os territórios da Índia e do Paquistão desde a independência do império colonial britânico em 1947. A China também possui parte do território. Já houve duas guerras entre as potências nucleares, Índia e Paquistão, pela região.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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