Notas Internacionais

por Ana Prestes

01 de julho de 2020, 14h40

Alemanha assume presidência do Conselho da União Europeia

Uma das pautas caras a Angela Merkel e que será tratada nesse período, observa Ana Prestes, é a do acordo comercial do bloco com o Mercosul

A chanceler alemã Angela Merkel - Foto: Reprodução/Youtube

– A Alemanha assume nesta quarta, 1º de julho, a presidência semestral do Conselho da União Europeia. Esta pode ser a última vez que Angela Merkel dirige o bloco. Uma das pautas caras a Merkel e que será tratada nesse período é a do acordo comercial do bloco com o Mercosul. Há um pedido na mesa do ombudsman da UE para que o processo de ratificação do acordo seja interrompido. Entre os presidentes dos países do bloco, Macron é um dos que mais trabalham para a não ratificação do acordo, com foco principalmente no Brasil e no que ele vem chamando de “ecocídio” promovido pelo governo Bolsonaro. A intervenção de Macron vem no bojo do expressivo crescimento dos Verdes nas eleições municipais francesas do último final de semana. Pelo menos 265 organizações da sociedade civil europeia já assinaram documento contra o acordo. Os parlamentos da Holanda, da Áustria e da Valônia (região da Bélgica) já se posicionaram contra o acordo. A União Europeia e o Mercosul, juntos, representam aproximadamente 25% da economia mundial e um mercado de quase 800 milhões de pessoas.

– Acontece nesta quinta (2), a passagem da presidência pró-tempore do Mercosul do Paraguai para o Uruguai. Participarão virtualmente quatro chefes de Estado dos países membros: Alberto Fernández, da Argentina; Jair Bolsonaro, do Brasil; Mario Abdo Benítez, do Paraguai; e Luis Lacalle Pou, do Uruguai. A Venezuela também é país membro, mas sua participação está suspensa, sob o argumento da cláusula democrática. Participarão ainda em reunião específica com representantes de Estados associados: Jeanine Añez, da Bolívia; Iván Duque, da Colômbia; e Sebastián Piñera, do Chile. Como convidado especial estará o Alto Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros, Josep Borrell. Além do acordo com a UE, está na pauta o refinanciamento de dívidas do bloco com organizações internacionais, financiamento para a recuperação dos efeitos da pandemia e a busca de investimentos externos. O Uruguai quer deixar essa marca em sua gestão: atração de capital externo para o bloco. A cúpula acontece em momento tenso para a política externa uruguaia. Está em curso uma mudança na chancelaria. Sai o atual chanceler Ernesto Talvi e assume o atual embaixador do Uruguai na Espanha, Francisco Bustillo. Entre as discordâncias de Talvi com o governo que representava, de Lacalle Pou, estão o tratamento dispensado à Venezuela e o apoio de um candidato dos EUA à presidência do BID.

– O governo venezuelano rechaçou a presença no país da embaixadora representante da União Europeia, após o bloco anunciar sanções contra 11 funcionários do governo. Isabel Brilhante Pedrosa foi convidada a se retirar. Durante o anúncio da decisão, o presidente venezuelano disse que “deve-se respeitar a Venezuela em sua integridade, como nação, como instituição”. Uma nova lei europeia de sanções a venezuelanos elevou para 36 o número de membros do governo de Maduro sujeitos às punições da UE, o que inclui proibição de viagens e congelamento de bens e ativos no continente europeu.

– Na China, foi aprovada nesta terça (30) a nova lei de segurança nacional para Hong Kong. A lei já havia sido aprovada pelo plenário do Congresso chinês, mas ainda faltava o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, uma espécie de mesa do congresso, aprovar. Houve uma votação unânime de aprovação por parte dos 162 membros do Comitê Permanente. A lei entra em vigor nesta quarta, 1º de julho, data de aniversário de 23 anos do retorno da soberania sobre o território da ilha do RU para a China.

– Esta semana, o Irã acusou Trump e outras 35 pessoas por assassinato e terrorismo no caso do assassinato do general Soleimani em janeiro. Soleimani morreu em um ataque feito por um drone nas proximidades do Aeroporto Internacional de Bagdad, no Iraque. Segundo o promotor de Teerã, Ali Alqasimehr, “36 indivíduos foram identificados em conexão com o assassinato. Eles supervisionaram, agiram e ordenaram. Isso inclui oficiais políticos e militares dos EUA e de outros países, para quem o judiciário emitiu mandados de prisão e a Interpol emitiu alertas vermelhos”. Em resposta, o representante especial dos EUA, Brian Hook, disse que “a Interpol não intervém e emite alertas vermelhos baseados em questões políticas”. (BBC).

– Uma nota que me escapou esta semana foi sobre as eleições na Polônia no último domingo (28). O líder ultraconservador e atual presidente (desde 2015), Andrzej Duda, venceu o pleito de domingo, mas não alcançou mais de 50% dos votos. Portanto, haverá segundo turno em 12 de julho. Seu adversário é o atual prefeito (desde 2018) da capital Varsóvia, Rafal Trzaskowski, membro da coalizão Plataforma Cívica, de cunho liberal e pró-União Europeia. Um dos temas que têm polarizado os eleitores entre as duas candidaturas é a questão LGBT. Enquanto Duda diz que a “ideologia LGBT é o novo bolchevismo”, Trzaskowski é defensor da pauta.

– Termina nesta quarta (1º) na Rússia, o referendo popular sobre as mudanças constitucionais. A imprensa internacional diz que, segundo as agências Interfax e RIA, 73% dos russos votaram favoravelmente às mudanças.

*Este artigo não reflete, necessariamente a opinião da Revista Fórum


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