Após lockdown, Itália registra menor número de mortes e flexibiliza abertura do comércio

Bares e restaurantes reabrem a partir desta segunda-feira (18). Na próxima semana, academias, piscinas e centros esportivos serão reabertos progressivamente no país europeu. Por Ana Prestes

– A Itália, que no último mês de março assombrou o mundo com números chocantes de mortes por coronavírus, registrou seu menor número de mortes desde então. Foram 145 perdas de vidas humanas em 24 horas. A Itália foi o primeiro país a se fechar completamente em lockdown nesta pandemia e aos poucos a quarentena está sendo flexibilizada. Hoje (18) o comércio já abrirá, assim como bares e restaurantes. O trânsito já se parece com o que era antes da doença. No próximo dia 25 de maio poderão voltar a funcionar as academias, as piscinas e os centros esportivos em geral. Teatros e cinemas ainda seguirão fechados pelo menos até a segunda metade de junho. No Vaticano, a Basílica de São Pedro também foi reaberta hoje. Os visitantes precisarão usar máscaras, guardar uma distância de 1,5m entre si, medir a temperatura ao entrari e também desinfetar as mãos com álcool em gel. Perto de 32 mil italianos foram vitimados pela Covid-19.

– Enquanto as coisas vão entrando em um ritmo de “novo normal” na Itália e resto da Europa, na América Latina a crise se avoluma. Foi registrado no final de semana que a América Latina e o Caribe já contam com mais de 500 mil infectados registrados. Sendo que o Brasil responde por quase a metade desse número. O segundo país mais afetado é o Peru e em seguida vem o México. No Chile também os casos têm aumentado de forma acelerada. Desde sábado (16), a capital Santiago, que conta com 80% dos infectados, está em confinamento total. O Chile havia adotado uma estratégia de “quarentenas dinâmicas”, em vez de fechar as cidades, mas precisaram mudar. No Peru, foi anunciada no sábado (16) a chegada de 85 profissionais de saúde cubanos para ajudar no combate ao novo coronavírus. Médicos/as e enfermeiros/as cubanos/as vão trabalhar nos hospitais das regiões mais afetadas pela doença.

Não é só com relação ao coronavírus que segue a guerra por hegemonia entre EUA e China. A disputa tecnológica segue a todo vapor. No final da última semana (15) o governo Trump, através do Departamento de Comércio, alterou uma regra de exportação que atinge especificamente a aquisição de semicondutores pela Huawei, segunda maior fabricante de smartphones do mundo e a empresa que desenvolveu a mais avançada tecnologia do 5G até agora. Com a mudança na regra, as empresas que usam equipamentos de fabricação de chips dos EUA precisarão de uma licença para fornecer à Huawei. O Ministério das Relações Exteriores da China reagiu à medida no sábado (16) e disse que “o governo chinês defenderá firmemente os direitos e os interesses legítimos e legais das empresas chinesas”. O ministério alertou ainda que as iniciativas de Trump “estão destruindo as cadeias globais de fabricação, abastecimento e valor”.

– E o maior confinamento populacional do mundo segue em vigor na Índia. Decretado em 25 de março, ontem foi adiado até 31 de maio através de um comunicado do governo. A Índia possui hoje 96 mil casos de infectados registrados e pouco mais de 3 mil mortes por coronavírus. Os números são bem menores que no Brasil, por exemplo, país com população seis vezes inferior à da Índia.

– A notícia internacional do final de semana que mais causou burburinho foi a do embaixador chinês encontrado morto no domingo (17) na Embaixada da China em Herzliya, arredores de Tel Aviv, em Israel. O Embaixador Du Wei tinha 57 anos e foi nomeado em fevereiro para representar a China em Israel. Já havia representado o país na Ucrânia. Há uma semana, ele havia criticado comentários sobre a China, feitos pelo secretario de Estado dos EUA, Mike Pompeo, quando este fez uma visita a Israel. Pompeo, assim como Trump, seguem em uma retórica de ofensas à China no que diz respeito às respostas à crise do coronavírus. A primeira manifestação do Ministério de Relações Exteriores da China foi de que “evidências preliminares são de que o Embaixador Du Wei morreu inesperadamente por razões de saúde. Os detalhes precisarão de confirmação posterior”. Beijing anunciou também que enviará especialistas a Israel para investigar o caso.

– Por falar em Israel, ontem (17) foi dia de posse do novo governo e de vários protestos. Cerca de 73 dos 120 deputados aprovaram a moção de confiança que significa o aval para a formação do governo por Netanyahu e Gantz. É a quinta vez em que Netanyahu se consagra premiê, embora desta vez acusado formalmente por crimes e com o compromisso de passar o comando para Grantz no meio do mandato. Gantz também ganha o cargo de ministro da Defesa. O governo dos dois representa a conjunção entre o Likud com seus aliados menores e o Azul e Branco também com seus aliados.

– E na última sexta (15) foi o dia da Al-Nakba (desastre) para os palestinos. Data que marca o que pode ser considerado uma catástrofe para os palestinos em 1948, quando centenas de milhares de pessoas foram expulsas para dar lugar ao hoje território de Israel. Muitos familiares ainda guardam as chaves das casas deixadas por seus parentes naquele ano. Sete décadas depois, a reivindicação pelo retorno segue mobilizando a luta palestina. O final de semana foi de repressão às organizações palestinas que realizaram protestos pelos 72 anos da Nakba.

– Em entrevista ao Estadão neste final de semana, Rubens Ricupero foi perguntado sobre qual será a principal agenda internacional no pós-crise do coronavírus. Ao que ele respondeu que, ao lado do combate à doença e o salvamento de vidas, a principal prioridade será a reconstrução das economias. Chama a atenção, segundo ele, é que até aqui “a reação à pandemia tem sido quase exclusivamente de caráter nacional, com baixo nível de cooperação internacional até no seio de blocos integrados como a União Europeia e os similares de menor expressão como o Mercosul”.

– Em carta enviada ontem (17) ao Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, o ministro de assuntos exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif, acusou os EUA de promover ingerências no mar do Caribe impedindo a chegada de navios de combustível iraniano à Venezuela. Segundo o chanceler, o Irã tem direito de adotar as medidas que creia serem necessárias e oportunas para revidar as ameaças. O comércio entre o Irã e a Venezuela é próprio entre dois países independentes, disse Zarif. Os EUA enviaram para a região do mar do caribe quatro embarcações de médio porte, o USS Detroit, o USS Lassen, o USS Preble e o USS Farragut para interceptar os petroleiros iranianos.

– Faleceu neste final de semana na Espanha, Julio Anguita, que foi o primeiro prefeito comunista de uma cidade espanhola (Córdoba) após o fim da Guerra Civil. Foi por muito tempo secretário geral do PCE e até hoje reconhecido pelos líderes da Izquierda Unida e do Podemos como um grande inspirador. Dirigiu a esquerda espanhola em um período em que a polarização entre PSOE e PP tomava quase 90% do eleitorado e deixou como legado a organização da Izquierda Unida.

– Logo no começo da pandemia por coronavirus ficou famoso um vídeo do atual presidente de El Salvador, Nayib Bukele, em que faz um discurso para sua equipe de que o país tomaria medidas duras e sérias de isolamento social e distribuição de recursos para combater o vírus. Aos poucos suas medidas foram ficando claramente autoritárias na forma de execução. Agora, a procuradoria geral da república denunciou o presidente por usurpar poderes do Congresso para conduzir o estado de emergência em que colocou o país. A denúncia vem após um decreto emitido pelo governo no sábado (16) em que prescinde de reuniões do Legislativo para decretar emergência e outras medidas no âmbito da pandemia. A procuradoria vai apresentar um recurso de inconstitucionalidade da media junto à Corte Suprema do país.

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Ana Prestes

Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.