Notas Internacionais

por Ana Prestes

08 de maio de 2019, 11h28

Aumenta tensão entre Estados Unidos e Irã

Ana Prestes diz que no momento em que faz um ano que os EUA deixaram o acordo nuclear com o Irã e voltaram com sanções ao país, iranianos retomam parte de seu programa nuclear

– A África do Sul terá dia eleitoral nesta quarta, 8 de maio. Hoje, o partido Congresso Nacional Africano (ANC) tem 62% das cadeiras no parlamento (249 de 400). A segunda força é a Aliança Democrática (AD) com 89 deputados e a terceira é o Lutadores da Liberdade Econômica (EFF), com 25. A tendência é de que a ANC continue com maioria no parlamento e designe o atual presidente Cyrill Ramaphosa para continuar à frente do governo central. Na África do Sul os eleitores votam nos partidos e os partidos escolhem os representantes que ocuparão os cargos no parlamento. Na eleição de hoje, 48 partidos estão inscritos e o número de eleitores é de 26,75 milhões. As nove províncias do país também passam por eleições hoje, no mesmo sistema.

– Meng Wanzhou, executiva financeira da Huawei, será ouvida hoje (8) em Vancouver, no Canadá. Ela está em prisão domiciliar no Canadá desde dezembro de 2018 a pedido da justiça dos EUA. Os norte-americanos alegam que Meng mentiu para o sistema financeiro sobre a relação da Huawei com a subsidiária Skycom para acordos comerciais com o Irã, violando as sanções dos EUA ao país. Na verdade, a prisão de Meng é uma das faces aparentes de uma guerra em curso entre EUA e China, em que o desenvolvimento da tecnologia 5G pela Huawei tem sofrido represálias.

– O Brasil não está entre os 25 melhores países do mundo para se investir, segundo reportagem da FSP de ontem (7). O dado é de um levantamento feito anualmente pela consultoria A.T. Kearney desde 1998. A posição do Brasil no ranking em 2019 não foi divulgada. Entre 2010 e 2014, o Brasil esteve entre os cinco primeiros colocados. A queda começou em 2016. Os EUA ficaram em primeiro lugar pelo sétimo ano consecutivo e atrás vem Alemanha, Canadá, Reino Unido, França e Japão. A China veio em 7º, a Índia em 16º e o México em 25º. A Rússia também está fora do ranking.

– Em reunião do Conselho de Representantes da OCDE de ontem (7) não foi tratada a adesão de novos membros, entre eles o Brasil. Na reunião entre Bolsonaro e Trump, em março, foi “combinado” que o Brasil abandonaria o TED (tratamento especial e diferenciado) na OMC e em troca os EUA apoiariam o Brasil no “processo com vistas a tornar-se membro pleno da OCDE”. A reunião do conselho é prévia à reunião ministerial que será nos dias 22 e 23 de maio, em Paris.

– Ernesto Araújo está em missão na Itália. De lá ele segue para Hungria e Polônia. Recentemente Eduardo Bolsonaro também esteve na Hungria e Polônia, que hoje são governados por partidos xenófobos, anti-imigração e de extrema direita. Segundo o porta-voz da presidência, Bolsonaro pretende ir aos três países no segundo semestre.

– Hoje, 8 de maio, faz um ano em que os EUA deixaram o acordo nuclear com o Irã e retomaram as sanções ao país. Como resposta, no dia de hoje é aguardado pronunciamento iraniano no sentido de retomar parte de seu programa nuclear, reduzindo alguns de seus compromissos “menores e gerais” no acordo, segundo o presidente Hassan Rohani. Ontem (7) informamos aqui nestas notas que os EUA posicionaram um porta-aviões e uma unidade de bombardeiros no Oriente Médio, em região próxima ao Irã.

– Ainda sobre o Irã, ontem (7) o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, cancelou repentinamente uma visita à Alemanha, onde seria recebido pela chanceler Angela Merkel e as notícias são de que ele fez uma visita inesperada a Bagdad, no Iraque, para ter conversações sobre o Irã. Isso um dia após Trump ter dito que forças iranianas colocaram as tropas americanas no Iraque e na Síria em perigo. Segundo jornalistas que acompanharam a viagem, foram feitos comentários de que o Irã faria uma “escalada em sua atividade”.

– Mesmo a um passo do Brexit, o Reino Unido terá que participar das eleições para o Parlamento Europeu que ocorrerão no dia 23 de maio. O governo britânico tem esperança de fechar um acordo do Brexit até 2 de julho, data em que novos membros do parlamento europeu devem assumir seus cargos. Serão 751 os deputados e deputadas eleitas para o parlamento do bloco para os próximos cinco anos.

– O Conselho Eleitoral da Turquia cancelou o resultado eleitoral das eleições realizadas em Istambul em 31 de março. Uma nova eleição será realizada em 23 de junho. Istambul é a maior cidade turca, com 15 milhões de habitantes, e, até as eleições, considerada reduto eleitoral do presidente Recep Erdogan.

– O embaixador de Cuba no Brasil, Rolando Gomez, ofereceu ontem uma entrevista coletiva na Embaixada em Brasília. Estiveram veículos como Valor, FSP, Estadão, Correio e Globo. Os temas centrais foram os efeitos da ativação do título 3 da lei Helms-Burton e a crise na Venezuela. Entre outras coisas, o embaixador revelou uma proximidade entre o governo cubano e o canadense nos últimos dias, sendo que o primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, visitou Díaz-Canel em Havana. A proximidade pode ser uma das explicações à mudança de tom do Grupo de Lima com relação a Cuba na última reunião da sexta, 3 de maio, em Lima.

– A primeira equipe humanitária brasileira de assistência às vítimas dos ciclones Idai e Kenneth em Moçambique retornou ontem (7) ao Brasil. Outra equipe seguiu para Moçambique e deve ficar até o dia 7 de junho no devastado país africano.

– A Coreia do Sul e o Mercosul caminham para fechar um acordo comercial até 2020, segundo o embaixador da Coreia (Sul) no Brasil, Kim Chan-woo. Brasil e Coreia do Sul celebram esta semana 60 anos de relação diplomática com eventos na Câmara dos Deputados em Brasília.

– Repercutiu internacionalmente o corte de 95% do orçamento do Ministério do Meio Ambiente do Brasil para executar políticas de luta contra as mudanças climáticas.

– Começou esta semana, em 6 de março, o Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos. Durante este mês se faz jejum do amanhecer até o pôr do sol. Ao fim do dia há orações e partilha de alimentos.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum