Notas Internacionais

por Ana Prestes

15 de junho de 2020, 14h54

Bolsonaro se alinha a Trump no leilão da rede 5G no Brasil

Chanceler Ernesto Araújo e general Augusto Heleno contrariam técnicos do Ministério da Ciência e Tecnologia para rechaçar parceria com a chinesa Huwaei, informa Ana Prestes em suas notas internacionais

Bolsonaro e Trump (Foto: Alan Santos/PR)

Desde o final da semana passada, começou no Brasil uma ofensiva contra o 5G da Huawei. A pressão dos americanos tem surtido efeito e o governo Bolsonaro vai alinhando seu discurso pró EUA com relação à instalação da tecnologia 5G no país. Na quinta (11), Bolsonaro disse que o leilão do 5G no Brasil vai levar em conta “soberania, segurança dos dados e política externa”. Sua fala foi embasada por uma nota técnica do Itamaraty, preparada por Ernesto Araújo e General Heleno que contraria os técnicos que vinham trabalhando com esta matéria no Ministério da Ciência e Tecnologia. No documento de Araújo, segundo reportagem da FSP que teve acesso ao texto, não há evidências técnicas de possíveis falhas de segurança dos equipamentos da Huawei que pudessem facilitar ataques de hackers ou roubos de dados pela fabricante. Araújo ainda justifica o rechaço à China em tons de chantagem. Diz que EUA, Brasil e Austrália são os maiores fornecedores de matérias primas e alimentos para a China e que ela teria que “continuar comprando” desses países, mesmo que eles vetem a Huawei. Em outra frente, sobre o mesmo tema, o governo dos EUA já discutem com o governo e empresas brasileiras o financiamento para compra de equipamentos da Ericsson e da Noquia para a montagem de uma infraestrutura do 5G. O embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, tem se referido ao tema como algo de interesse da segurança nacional do seu país. O financiamento seria pelo International Development Finance Corporation, uma banco de fomento criado por Trump em 2018, como rival do Banco do Brics e do Banco de Desenvolvimento da China que ampara o Cinturão e Rota da China.

Mesmo em meio aos maiores protestos anti racistas dos EUA desde os anos 60 do século passado, mais um negro foi assassinado por um policial branco na última sexta-feira (12) em Atlanta. Rayshard Brooks, de 27 anos, foi duplamente baleado pelas costas no estacionamento de uma lanchonete (incendiada horas depois por manifestantes). Segundo a polícia de Atlanta e os vídeos das câmeras do local, ele teria sido abordado por estar dormindo dentro do carro e submetido ao teste de bafômetro foi identificado que estava alcoolizado. Os policiais então tentaram algemá-lo, quando ele lutou, correu e recebeu os disparos pelas costas. É muito improvável que um branco na mesma situação de Brooks fosse abordado e alvejado assim. O policial foi demitido imediatamente e a chefe da polícia no local pediu demissão enquanto os protestos avançavam por toda Atlanta. Já começou uma campanha para que o policial seja acusado de assassinato e cumpra pena por isso. É raro nos EUA que policiais nesta situação sejam punidos severamente. No 20º. dia seguido de protestos, o assassinato em Atlanta aumentou a revolta de quem vem se mobilizando contra a violência policial racista. Brooks deixou esposa e três filhas, com 1, 2 e 8 anos de idade, além de um enteado de 13.A China entrou em alerta no final de semana pelo risco de um novo surto provocado pelo coronavírus, desta vez na província de Liaoning, próxima a Pequim, no nordeste do país. As novas infecções estão ligadas a um mercado de alimentos de Pequim, segundo a imprensa internacional. Quase todas as pessoas infectadas estiveram no mercado (ou em contato com alguém que esteve) de Xinfadi, considerado o maior mercado de alimentos de toda a Ásia. Em entrevista coletiva dada ontem (14), o porta-voz do governo de Pequim, Xu Hejian disse que “Pequim entrou em um período extraordinário”. O mercado foi fechado e todo o distrito onde está localizado recebeu o status de “estado de emergência de guerra”. Além de Liaoning, outras 10 cidades próximas estão em estado de alerta.

A Comissão Europeia está incentivando todos os países membros da UE a colocarem fim aos controles de fronteira e permitirem a livre circulação a partir de 15 de junho (hoje). Nas palavras da comissária para o interior, Ylva Johansson, “recomendamos que as fronteiras internas sejam abertas o mais rápido possível”. A covid-19 causou mais de 170 mil mortes na UE e levou a um bloqueio da circulação interna de forma inédita no bloco. A reabertura foi endossada pelo Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC). Segundo um informe da organização, “nos últimos 14 dias, salvo em algumas regiões, a EU registrou menos de 100 novas infecções para cada 100 mil habitantes”. Alguns países, como a Espanha, estão resistentes à abertura. Para viajantes de fora da UE, como do Brasil, a entrada ainda não será permitida, a não ser que o país de origem esteja em situação epidemiológica igual ou melhor que a do continente, com capacidade de implementar medidas como o distanciamento seguro e outras formas de evitar contágio no trajeto, além da reciprocidade, ou seja, permitir a livre entrada dos passageiros europeus.

O Superior Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) anunciou na última sexta (12) a designação dos cinco membros do novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Pela constituição venezuelana, o CNE deve ser designado pela Assembleia Nacional, mas como há uma contenda entre governo e oposição sobre a validade das resoluções aprovadas na Assembleia, a designação foi feita pelo TSJ. Segundo o calendário eleitoral da Venezuela, este ano estão previstas eleições parlamentares. As últimas eleições foram em 2015. Apesar do principal (em termos de exposição midiática e internacional) opositor de Maduro, Juan Guaidó, não reconhecer a designação do TSJ, partidos de oposição solicitaram ao tribunal a declaração de “omissão legislativa” por parte da Assembleia Nacional para designar os membros do CNE.

O Líbano voltou a ter fortes protestos de rua. Iniciados em outubro do ano passado, os manifestantes estiveram imobilizados pela pandemia até agora, mas retornaram com força. As mobilizações pedem eleições antecipadas, direitos humanos básicos e melhores condições de vida. Em 2019, os protestos culminaram com a demissão do então primeiro ministro Saad Hariri. Em janeiro assumiu um novo premiê, Hassan Diab. Desde outubro, a moeda local, libra libanesa, já perdeu 70% de seu valor perante o dólar, a inflação está disparada e o desemprego está na casa dos 35%. No Líbano há uma divisão de poderes entre o primeiro ministro, o presidente da república e o líder do parlamento que obedece a uma divisão por forças político-religiosas. O premiê é sunita. O presidente é cristão-maronita. O chefe do parlamento é xiita. O país é formado por uma maioria muçulmana, cerca de 60% e uma minoria cristã, cerca de 40%.

A presidente de fato da Bolívia, Jeanine Añez, continua tentando adiar as eleições presidenciais do país. Na última sexta (12) ela decidiu não promulgar a lei aprovada pelo Congresso boliviano e que estabelece uma nova data para o pleito. Pediu ainda ao congresso que prove epidemiologicamente que é seguro fazer eleições em 6 de setembro. No fundo, está criando pretextos para adiar as eleições. O confronto tem se dado entre Añez e a presidente do Senado, Eva Copa, parlamentar do MAS, partido do ex-presidente Evo Morales. Neste momento,há dez candidatos presidenciais e Luis Arce, do MAS, lidera as pesquisas de intenção de votos. Enquanto a Bolívia vive esse cenário de incerteza e violência contra opositores ao governo golpista de Añez, cresce na imprensa internacional a divulgação de que o relatório da OEA que apontava como fraudulenta a eleição que reelegeu Evo está cheio de irregularidades. Artigo do NYT sugere de forma contundente que é “impossível garantir a integridade dos dados e certificar a precisão”, referindo-se ao relatório da OEA. A matéria do NYT, replicada no Brasil pelo The Intercept Brasil, se apoia em um estudo realizado por pesquisadores de universidades norte-americanas que se baseou nos dados apresentados pela OEA e afirmou que é impossível “replicar as conclusões da OEA usando suas provas técnicas” e que “a diferença é significativa”. Em resumo: os dados apresentados pela OEA para provar uma suposta fraude, quando re-analisados, não levam à mesma conclusão.

Circula pelo mundo uma petição para que seja outorgado às brigada médicas internacionais cubanas.


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