Notas Internacionais

por Ana Prestes

25 de maio de 2020, 13h32

Brasil de Bolsonaro não entra nos EUA e é tratado como pária pela imprensa

Financial Times: “Bolsonaro conduz o Brasil ao desastre”; Telegraph: Presidente brasileiro “quebrou o Brasil”. As abordagens são replicadas mundo afora pela Newsweek, NYT, BBC, Reuters, El Pais, Le Monde, RFI e por aí vai, diz Ana Prestes

Foto: Reprodução

– Começa no próximo dia 29, nos EUA, uma proibição para que todas as pessoas vindas do Brasil ou em conexão e que estiveram no Brasil nos últimos 14 dias, exceto cidadãos norte-americanos ou portadores do green card, entrem no país. Atualmente, quase todos os voos já estão suspensos. Operam ainda os que vão para Texas e Flórida. O governo brasileiro reagiu via o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, que disse: “ao banir temporariamente a entrada de brasileiros nos EUA, o governo americano está segundo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso. Não há nada específico contra o brasil. Ignorem a histeria da imprensa”. Mas o argumento de Martins não se sustenta. Visitei hoje a lista dos países com cidadãos impedidos de entrar nos EUA e a Índia, por exemplo, não está na lista. Se fosse pelo critério de país populoso, a Índia com uma população de 1,3 bi estaria no topo da lista junto com a China. Mas a Índia conta bem menos mortos pela Covid-19 do que o Brasil. Mas não há nada específico sobre o Brasil, tá gente?

 – E como não há nada específico sobre o Brasil e a imprensa internacional anda sem assunto para suas capas, pelo menos dois veículos de imprensa com destaque em todo o mundo, o Financial Times (FT) e o The Telegraph, trazem matérias sobre Bolsonaro em suas capas hoje (25). O FT é bem didático e diz: “Bolsonaro conduz o Brasil ao desastre”. O Telegraph diz que o presidente brasileiro “quebrou o Brasil”. As abordagens são replicadas mundo afora pela Newsweek, NYT, BBC, Reuters, El Pais, Le Monde, RFI e por aí vai.

 – A grande imprensa só fala das novas diretrizes para Hong Kong, mas a reunião anual do plenário da Assembleia Popular Nacional (APN) da China foi muito além. A Assembleia, que começou na última sexta (22) foi adiada por dois meses devido à pandemia do novo coronavírus. Conta com 3 mil delegados de toda a China e durará uma semana. Segundo o presidente do Comitê Permanente da APN, Li Zhanshu, o foco da sessão esteve na promoção de normas de saúde pública e suporte lega para o estabelecimento da revitalização socioeconômica do país. Serão revistas as leis de Proteção a Animais Selvagens, Prevenção e Controle de Enfermidades Infecciosas, Saúde e Quarentena nas fronteiras, além da legislação de Respostas a Emergências. Outro debate importante está se dando, a partir da Sessão Plenária, do Código Civil chinês. Para a construção da proposta de um novo código foram feitas pelo menos sete consultas à população. Por fim, há também debates em torno da lei de segurança nacional em Hong Kong para proteger o princípio de “Um país, dois sistemas”. A assembleia também apontou que o ano legislativo chinês de 2020 tratará de uma lei para a proteção das informações pessoais, controle sobre as exportações, revisão das leis anti-lavagem de dinheiro e bancos comerciais. (Com infos da Prensa Latina)

 – Um dos efeitos da APN chinesa foram os protestos nas ruas de Hong Kong durante o final de semana. Após meses sem manifestações de rua, por conta do isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, as marchas voltaram e a repressão das forças de segurança também. Os protestos foram mobilizados após os anúncios de que a China pode mudar alguns aspectos da sua política de segurança nacional em Hong Kong e foram incentivados por líderes ocidentais como os primeiros-ministros da Austrália, Canadá e Reino Unido, além do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. A relação entre a China e os EUA que já anda bem tensa no que tange ao comércio e à pandemia, agora ganha mais um elemento. Sobre esta relação tensionada, o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, discursou ontem (24) na APN. Ele se referiu a “algumas forças políticas dos EUA” que estariam concentradas em produzir hostilidades contra a China.

 – Se a população pobre está sofrendo com a pandemia, os que já são ricos vão ficando ainda mais ricos. Jeff Bezos, chefe da Amazon e Mark Zuckerberg, do Facebook tiveram suas fortunas aumentadas em 30% e 45% respectivamente. Nos próximos anos, Bezos pode chegar a ser o primeiro trilionário do mundo. (Infos do Canal Meio)

 – E o presidente argentino Alberto Fernández estendeu a quarentena no país até pelo menos 7 de junho. Até agora, é a quarentena mais prolongada do mundo. Começou no dia 20 de março e já é maior que a quarentena de Wuhan, da França, da Itália e da Espanha. Em grande parte, a extensão é devida aos riscos apresentados pela epidemia no Brasil, hoje epicentro da doença na América do Sul e segundo lugar em todo o mundo, ficando atrás apenas dos EUA. Segundo Fernández, “a quarentena vai durar o que tiver de durar para que os argentinos tenham saúde”. “Estamos em uma pandemia que mata gente. Dá pra entender? Estamos em uma pandemia de um vírus desconhecido. Dá pra entender? Estamos em uma pandemia de um vírus para o qual não há vacina e nem remédio. Dá pra entender? Aqui estão acontecendo coisas sérias”, disse Fernández em uma coletiva de imprensa.

 – Uma operação comercial entre Irã e Venezuela prosperou a despeito das tentativas de bloqueio dos EUA. Chegaram sábado (23) em águas venezuelanas os primeiros de cinco petroleiros iranianos, após tratativas entre Maduro e Rouhani. Segundo o presidente iraniano, horas antes dos navios se aproximarem da Venezuela, “se nossos petroleiros do Caribe ou de qualquer lugar do mundo encontrarem problemas causados pelos americanos, eles também vão ter problemas”. Cada embarcação leva cerca de 1,5 milhão de barris de gasolina e alquilato (composto para mistura com gasolina para motores). Apesar de ser o país com a maior reserva de petróleo em todo o mundo (mais de 300 bilhões de barris), a Venezuela não está conseguindo produzir gasolina. Ocorre que a produção da gasolina depende de compostos químicos que a Venezuela importava dos EUA e outros países que hoje não fazem comércio com o país. Entre estes compostos está o alquilato, assim como o butano, o éter e o etanol. Além desses compostos, a indústria do refino na Venezuela também depende de peças para o maquinário que são de tecnologia estadunidense.

 – Começou em Israel o julgamento do primeiro ministro Benjamin Netanyahu por crimes de corrupção. É a primeira vez que um premiê israelense passa por um julgamento desse tipo. Ele se deslocou para se apresentar à corte neste domingo (24) em uma região ocupada a leste de Jerusalém. A presença dele foi só para marcar o ritual de início do julgamento, que deve seguir sem a presença do premiê. Vários manifestantes o esperavam à porta do tribunal. Ele é acusado de receber presentes caros de amigos ricos e de oferecer favores à imprensa em troca de cobertura favorável. No caso mais robusto, ele é acusado de promover uma legislação específica para beneficiar com milhões de dólares em lucros o dono da maior companhia de telecomunicações de Israel e ganhar favores editoriais no portal de notícias da empresa. Pelas leis de Israel, Netanyahu não é obrigado a renunciar enquanto corre o processo de julgamento.

 – Segue a corrida científica por uma vacina contra o coronavírus. Boas notícias chegam da Rússia, China e dos EUA. Cerca de 120 projetos mais promissores estão agora em plena atividade. Estudos chineses publicados na revista britânica The Lancet mostraram que uma vacina experimental tetada em 108 pessoas de Wuhan teve resultados positivos em 63 pessoas. Isso quer dizer que elas desenvolveram anticorpos neutralizadores em níveis esperados. Das três vacinas mais promissoras até aqui aparecem esta chinesa que cito e é associada à CanSino, a norte americana da Moderna e a russa da BioCad. Muitos especialistas, no entanto, alertam que a pressa não ajuda em nada neste momento. Pois os riscos devem ser levados em conta, como efeitos colaterais, riscos de potencializar o vírus, além das dificuldades em se produzir vacinas em grande escala. Há décadas são pesquisadas vacinas para o HIV, a dengue e o ebola, por exemplo.


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