Notas Internacionais

por Ana Prestes

11 de junho de 2019, 12h40

Chanceler brasileiro abre evento sobre Globalismo e diz que é preciso “recompor a alma conservadora”

Ana Prestes: “O ministro também não perdeu a chance de relacionar o comunismo e o nazifascismo na promoção do que ele chama de ‘morte de Deus’ nas sociedades ocidentais”

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

– O Itamaraty realizou nesta segunda (10) um seminário, via Fundação Alexandre Gusmão (Funag), para discutir o Globalismo. A palestra de abertura foi feita pelo próprio ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Circula nesta terça (11) na imprensa um comentário do ex-embaixador e ex-secretário geral do Itamaraty, Marcos Azambuja, sobre o seminário e o que ele chama de “desafio ao bom senso”. Nas palavras de Azambuja, “nós estamos nesse caso desafiando um pouco o bom senso, a realidade. Portanto, creio que isso são distorções momentâneas e passageiras. Confio tanto na serenidade, no bom senso do Brasil e nas nossas transições diplomáticas que eu sei que a médio prazo elas serão restabelecidas e que o Brasil voltará a ter aquela linguagem que é a sua: de serenidade, de prudência, de amizade e de construção de melhores relações com todos”.

– Já o ministro Araújo, na abertura do Seminário sobre Globalismo, afirmou que o Brasil tem um papel fundamental no “combate ao globalismo”. Nas palavras do ministro, “estamos entrando para tentar recuperar o coração da sociedade liberal e recompor a alma conservadora. É a preservação de um conceito profundo de dignidade humana. Alguém que se relaciona com Deus. Deus em Davos…” (se referindo a menção a Deus por Bolsonaro em seu discurso em Davos no último janeiro. Araújo disse ainda que o globalismo nasceu quando o comunismo “tomou o coração dos liberais”. O ministro também não perdeu a chance de relacionar o comunismo e o nazifascismo na promoção do que ele chama de “morte de Deus” nas sociedades ocidentais.

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– Cresce a cada dia a preocupação mundial com a situação do Sudão. Há um impasse entre o conselho militar que tomou o governo do país (em abril, retirando Omar Al-Bashir, presidente por três décadas) e sociedade civil organizada, que tem provocado repressão militar e causado centenas de mortes. A princípio, havia certo consenso no país pela retirada de Bashir do poder, mas uma vez deposto o presidente por golpe, militares e civis se dividiram quanto aos caminhos para restabelecer o governo do país. Os militares têm dado as cartas e a resposta da oposição aos militares tem sido uma campanha nacional de “desobediência civil” que começou no último domingo (9) e que já deixou a capital, Cartum, praticamente deserta e tomada por barricadas erguidas com móveis, pneus e material de serralheria. Como método para deter a resistência, os militares provocaram um “apagão” na internet nos últimos dias e deportaram líderes opositores para o Sudão do Sul.

– México e EUA podem propor ao Brasil e ao Panamá apoio nos esforços para mitigar a onda de migrações provenientes da América Central. Nas palavras do chanceler mexicano Ebrard, “se as medidas que estamos propondo não tiverem sucesso, temos que discutir com os Estados Unidos e com outros países, como Guatemala, Panamá e Brasil… é um sistema regional”.

– A situação do Haiti segue tensa. Na segunda (10), a capital Porto Príncipe amanheceu paralisada após a convocação de uma greve nacional de dois dias. No domingo (9) foram retomadas com força as manifestações pela saída do presidente Jovenel Moise. Na segunda, a repressão foi forte onde houve protestos e a oposição fala em pelo menos sete mortos e mais de uma centena de feridos. Moise é acusado de se beneficiar por recursos do fundo Petrocaribe, pelo qual a Venezuela oferecia petróleo com valores subsidiados ao Haiti.

– Em sua política Monroísta para a América Latina, Trump tenta fazer do continente americano território livre da Huawei, empresa chinesa de telecomunicações. Diplomatas americanos têm alertado seus pares latino-americanos sobre os riscos da atuação da Huawei nas redes 5G pelo potencial de desenvolvimento de atividades de espionagem pela chinesa. Mas os países latino-americanos têm resistido, inclusive o Brasil, que segundo o vice-presidente Mourão vê “a Huawei com bons olhos”. Brasil, México e Argentina, pelo menos, deverão decidir nos próximos meses se aceitarão a Huawei no lançamento da infraestrutura de suas redes de 5G. As concorrentes da Huawei na América Latina seriam Samsung, Ericsson e Nokia (com dados de reportagem da FSP).

– São dez os pré-candidatos do Partido Conservador ao cargo de Primeiro-Ministro do Reino Unido. A oficialização foi feita na segunda (10). A primeira rodada de votações será na próxima quinta (13), em que os candidatos precisam de pelo menos 5% dos votos para permanecer na disputa. A última votação se dará no dia 20 e os dois mais votados vão a uma eleição final, em nível nacional, na qual votam os cerca de 120 mil militantes do Partido Conservador. Segundo levantamentos do “The Economist”, Boris Johnson (ex-ministro de relações exteriores e ex-prefeito de Londres e um dos maiores defensores do Brexit duro) tem 71,3% de chance de vir a ser o Primeiro-Ministro. Em segundo lugar está Jeremy Hunt (atual ministro de relações exteriores) com 14,3% de chance.

– Em Hong Kong, uma série de protestos tem feito pressão sobre o governo local e sua líder, Carrie Lam, contra um projeto de lei que prevê a extradição de suspeitos para a China continental com a finalidade de serem julgados. Segundo Lam, “ninguém quer que Hong Kong seja um refúgio para infratores fugitivos”. Manifestantes alegam que a lei pode servir para extraditar ativistas e opositores do governo central da China. Hong Kong é parte da China, desde que deixou de ser um protetorado britânico em 1997, mas possui um sistema legal próprio e certa autonomia política no esquema “um país, dois sistemas”. Novas manifestações foram convocadas para esta quarta (12). O Ministério de Relações Exteriores da China, via o porta voz Geng Shuang, informou que forças do exterior têm tentado intervir em assuntos legislativos da China. Esta semana, os jornais “Washington Post” e “The Guardian” foram bloqueados na China.

– Na Bolívia está tenso o ambiente pré-eleitoral. Candidatos opositores a Evo Morales têm convocado marchas e protestos contra as autoridades do Tribunal Supremo Eleitoral do país. Eles reivindicam a renúncia dos magistrados da corte eleitoral. Segundo Carlos Mesa, um dos principais opositores, o objetivo dos protestos é defender o referendo de 21 de fevereiro de 2016, em que venceu a posição que impedia uma nova candidatura de Evo. Segundo ele, a corte eleitoral reconhece uma candidatura que não poderia existir. Por outro lado, sabe-se que o Tribunal Constitucional da Bolívia autorizou a reeleição indefinida, atendendo à Convenção Americana de Direitos Humanos, que concede o direito ao um líder a ser eleito sem limitações.

– A newsletter Meio comenta nesta terça (11) que a TV estatal russa está trabalhando em sua própria série televisiva sobre Chernobyl. Diante do sucesso da série veiculada pela HBO, os russos dizem que farão a “versão verdadeira” dos fatos históricos e mostrará como a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) teve envolvimento no desastre. Na Rússia, ao tempo em que a série americana foi elogiada por sua meticulosidade, houve também críticas por colocar em dúvida a capacidade nuclear do país.

– Na Argentina, a organização Avós da Praça de Maio anunciou a recuperação do neto de número 130. Uma conferência de imprensa será realizada na próxima quinta (13), às 13 horas, do horário local, para revelar detalhes da descoberta.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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